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Tuesday, August 23, 2011

Brazileira

Manténs essa imensa altivez
permaneces impávido e sereno
enquanto as pessoas aguardam a vez
para pousar com o belo monumento

Pouco ou nenhum ser tem o dom,
de ser homónimo de nome teu,
elogiar o teu génio orpheu
sem de ti esperar um só som

Voltar atrás a esses dias
passados na brasileira a falar
divagar por repúblicas e monarquias
ou apenas ricardos e albertos lembrar

Eterno desassossego entregue ao relento
como mendigo que dorme e sonha na rua
invejo a tua sorte por a cada momento
sentires quente na pele a luz da lua

Por teres o silêncio pela manhã
por teres a conversa pela tarde
a noite apaga o dia de amanhã
e no copo o absinto ainda arde

Friday, July 22, 2011

Dolce Vita











guiada por essas mãos magoadas
que teimam em não deixar de brilhar
mãos de princesa relegada
a uma eternidade sem reinar

a coroa que ousas ostentar
já sem dourado de outros tempos
realça nos teus cabelos o tom âmbar
lembrando cores de belos momentos

no entanto não perdeste a postura
esse ar que mostra quão importante és
nesse corpo que inspira loucuras
num servo ajoelhado a teus pés

implicito nesse olhar sereno
tens o dom de querer e saber
apesar de o teu mundo ser pequeno
sonhas um dia feliz ser

continuas a tua tarefa eterna
com as mesmas mãos magoadas
não reinas nesta era moderna
mas serás rainha no teu conto de fadas

Wednesday, July 13, 2011

Cativar












hoje quero escrever algo diferente
guiar-me pela noite e não pelo dia
deixar-me levar pelo inconsciente
entregar o corpo à tua sabedoria

dançar contigo na ponta dos dedos
cantar ao mundo aquilo que sinto
deixar bem longe todos os medos
o meu futuro sou eu que o pinto

olho para ti e vejo a imagem
de alguém que sente como eu senti
como rio que abraça a sua margem
eu quero sem demoras abraçar-te a ti

neste dom de saber e sonhar
rendo-me incrédulo à tua imaginação
porque não é fácil ideias inventar
nem fácil é deixar aos pulos o coração

por este esboço que aqui eu escrevo
entrego a ti estas linhas pintadas
desenhadas por mim nas folhas de um trevo
de quatro folhas como em histórias encantadas

fico à espera do resto da história
desse livro que ainda está por escrever
porque se não me falha a memória
ainda muito ficou por dizer

Monday, June 13, 2011

Pérola de santos

procuro há muito o centro do mundo
um lugar onde o tempo e o espaço dão um nó
local inóspito de silêncio profundo
sítio onde o ser popular se sente só

cavidade ou esconderijo dissimulado
circunstância que se oculta a outrem
prisão ou compartimento em local isolado
onde o pensamento amarrado se mantém

a ausencia de ruído por omissão
por ocultar ou interromper correspondência
por longos arcos traçados a carvão
centro do plano de uma circunferência

ponto essencial de uma questão
laço apertado feito com fita
escravo do sentido da emoção
gente ingénua que no mundo acredita

e a ti confidência ou confissão
possuis o dom do segredo e de saber
tens guardada a chave da minha prisão
é teu aquilo que pensava já não ter

Wednesday, June 08, 2011

Um dia já é tarde de mais

li, um dia, esse texto teu
repleto de verdades e lições
mostrava que tudo o que o mundo me deu
resultava das minhas acções

falava da simplicidade inata
assim à primeira vista parece
ou daquele amigo que faz falta
até ao dia em que se esquece

de beijos dados sem pensar
com saudades presas na memória
numa guerra perdida a chorar
nessa vida que dava uma história

um conto de fadas de encantar
com provas de amor até mais não
das que fazem palpitar
o mais rebelde coração

e denotas aquele erro mais comum
que é ignorar o tempo passar
pois os anos passam um a um
para depressa a vida acabar

e se achas que somos todos iguais
que nunca é palavra a usar
é errado que digas jamais
me vou voltar a apaixonar

uma prova tão simples e complicada
de quem pouco ou nada te liga
de quem te vê sonhar acordada
a quem ensinaste uma lição de vida

por todas vezes que me prendi ao teu olhar
enquanto escutava a longa explicação
não perdi a coragem de lutar
para um dia conquistar teu coração

Monday, June 06, 2011

Eternamente noutro lugar

estive a olhar para ti
por longos tempos sem conto
como em histórias que não são daqui
por um caminho que hoje não encontro

saudosas noites de luar
partilhadas na ignorancia de saber
cego por esse brilhar
que ainda hoje gosto sem querer

perguntas sem uma só resposta
monólogo de uma pessoa apenas
de quem a cabeça no ombro encosta
imaculado como açucenas

assim se espera cedo pensar
puro de ideias e pensamentos
com uma mente vazia como o mar
repleta de bons momentos

porque são esses que se guardam
quando não há mais para partilhar
perdidos na memoria ficaram
eternamente noutro lugar

e assim esqueço o que aconteceu
escrevo na mente uma folha vazia
fecho a sete chaves tudo o que é teu
dando passos largos para a utopia

Sunday, June 05, 2011

Dou-te nada

mostra a tua mão
mostra o teu olhar
mostra o que guardaste para ti
e não quiseste dar
esconde a emoção
oculta sentimentos
permanece imaculada
triste só e abandonada

porque a vida não é um sonho
cheio de histórias encantadas
pois há sempre alguém que deita por terra
todos os contos de fadas

perspectiva de quem sonhou
de quem em tempos foi feliz
de quem não sabe onde a paixão ficou
nem se lembra como tal palavra se diz

porque houve muito sonho que guardei
não sabendo se te sentes tentada
no final de tudo apenas sei
que o lema é... dou-te nada

Wednesday, May 25, 2011

Saudade

olho as luzes da cidade
com os seus padrões iluminados
lembro com grande saudade
momentos da terra dos fados

em dias em que o sol brilhou
muitas foram as emoções
algumas a minha mente guardou
outras não chegaram a recordações

outros dias menos felizes
com gotas de chuva nas janelas
lembro palavras que já não dizes
percorro a memória à procura delas

e se tiveres mesmo mudada
se achas que o passado foi um engano
penso eu que estas errada
nesse comum acto humano

lembro tanto essa palavra só nossa
cravada na lingua portuguesa
esperando que cedo também possa
matar saudades da tua beleza

e se para isso tiver de correr
ou por longas distâncias viajar
nada me vai impedir de te ver
nem força alguma de te abraçar

Tuesday, May 24, 2011

Bruma

por vezes vejo pedaços que não conheço
ocultos nessa bruma densa,
negra que me cega
vejo que estão longe do que és
mas tão perto que são inegavelmente teus
perdido em comparações de ser que sempre pensa
pensamento para monólogo de quem não prega
sabedoria que deixa o mundo a meus pés
guardando apenas e só momentos meus

egoísmo puro e duro
suportado pela intolerância de gostar
de pensar sequer em dar um pouco de si
escondo-me nesse canto tão escuro
que me impede de te ver de te olhar
de dizer as palavras gosto de ti.

e nesta confusão que baralha qualquer mente
esqueço as palavras que ficam por dizer
fico mudo sem sentir que sou gente
ignoro todo e qualquer sinal que queiras mostrar
porque ao meu lado tantas vezes te quero ter
mesmo que seja apenas para te ouvir falar

Monday, May 23, 2011

Pedra quebrada

neste pedaço de papel guardo
memórias copiadas dessa pequena pedra
que foi em tempos mais que um fardo
diamante que sem cuidado também quebra

longas noites passadas sem dormir
apenas com o intuito de te ver
perdida num sonho a sorrir
reencontraste a alegria de viver

alma fria magoada sem paixão
esquecida de mimo doce como mel
perdida nos versos de uma canção
que traz arrepios à flor da pele

nos tempos em que provei o teu sabor
nas noites em que um beijo foi pouco
dei ao teu sangue o calor
teu ser amei como louco

e se errei quando o fiz
se não o devia ter feito
nesses tempos sei que fui feliz
nessas noites perdido no teu leito

mas a memória nem sempre permanece
e já não te deves lembrar da canção
aquela que a minha mente jamais se esquece
pois trouxe à boca o coração

Monday, May 16, 2011

Perder-me em tempos

quero escrever algo que arrepie
quero presente porque pretéritos cansam
passado não é algo em que me fie
futuros não são tempos que me espantam

nesse curto espaço temporal
que separa o teu mundo do meu
perco a noção numa utopia
num sonho em que podia ser teu

e se há coisa mais irreal
pensamento em que jamais acreditaria
é que perder-me junto de ti
é desejo que pode acontecer um dia

ainda que longe estejas daqui
perdida num outro mundo
quero muito que me dês a mão
nem que seja por um segundo

e se não sentiste um pouco de calor
se o frio não correu em euforia
se não houve em ti um pedaço de amor
que prove que serás minha um dia

sinal é que falhei nesta minha missão
nessas noites em que te escutei
encantado pelo teu saber
esquecendo tudo o que conhecia
como desculpa para mais ouvir

por todas as vezes que olhei a tua mão
tantas vezes em lhe tocar pensei
no teu sorriso me quis prender
no teu olhar pensei que me perdia
quando no fundo tudo o que queria
era o doce dos teus lábios sentir

Tuesday, May 03, 2011

Ondas do teu cabelo

houve dias de muitas conversas
presas no silêncio de dois tons
um mar eterno de ideias dispersas
passeando imersas numa noite de sons

a tua voz sempre muito mais presente
pequenas frases que ousas conjurar
colocas o teu saber na minha mente
inata vontade de me enfeitiçar

cedo me perco nas voltas do teu cabelo
nesse jogo permanente que não ousas parar
disfarce que esconde aquele tom tão belo
de tempos distantes difíceis de lembrar

corres sem medo para longe do conforto
de um mar fechado que não te deixa sentir
as ondas quentes lutando no porto
um tesouro guardado pronto a descobrir

e em cada sorriso que deixas fugir
quando nos perdemos a conversar
certamente deves sentir
que algo mais te quero roubar

Saturday, April 30, 2011

Doce tom rubro

nuvens negras pelo céu espalhadas
doce tom rubro espelhado no horizonte
tristeza e alegria de mãos dadas
vista esta imagem do cimo de uma ponte

mudanças foi apenas um tema
conjugado em todos os tempos
percorrendo os verbos de um esquema
partilhando certos momentos

é fácil roubar sorrisos
esquecer tudo por esses olhos verdes
lançar me num carrossel de esquissos
querer saber por quem te perdes

e nessas vezes que a mão te dei
em que a acção ignorou de longe o pensar
sabes tão bem quanto eu sei
que não era apenas isso que te queria dar

Thursday, April 28, 2011

Sentidos

segredos escondidos num horizonte distante
sonhos perdidos numa obcessão sem fim
desejo impunente pela perfeição constante
fará sentido viver a vida assim

patamares regidos por regras utópicas
artigos definidos no longe passado
máscaras de acções irreais metamóficas
fará sentido viver a vida amarrado

sociedades podres de tão fracas mentes
hábitos boémios da vida presente
leis dadas por cerebros dormentes
fará sentido viver esta vida demente

pessoas estragadas sem algo de bom
guiadas por gostos eufeminizados
transmutam os deveres para o seu tom
fará sentido viver sobre direitos passados

beleza ditada por gente sem gosto
formas que tocam de perto a destruição
vidas em risco apenas por um posto
fará sentido viver sem compaixão

Wednesday, April 20, 2011

Primeira Pessoa do Pretérito Imperfeito

esteve em dias a lua no teu umbigo
como em dias estive também perdido
em noites que passaste comigo
em noites que fui teu porto de abrigo

por longos caminhos em busca de um segundo
apenas um só minuto na tua companhia
todos os dias corri o teu mundo
na esperança de te devolver a alegria

essa que há muito foi destruída
por todas e mais uma razão
por pessoas que habitam a tua vida
mas que mostram não ter coração

por isso andas só nos teus pensamentos
não vês a beleza de uma rosa
perdes tão belos momentos
seja em poema seja em prosa

pois em letras me desfaço
com elas procuro o que perdi
tenho de admitir com embaraço
a minha vida não faz sentido sem ti

Sunday, April 10, 2011

Rocha fria pedra morta

viste aquela estrela?
raio de luz nesta noite quase dia,
pedra que rasga a pele de uma terra magoada,
que toca o ar que custa a respirar.
rocha fria.
rocha sem vida de tão gelada,
cedo aquece por dois corpos juntar
nesse jogo em que só um prevalece,
onde a beleza pouco ou nada importa,
pois num segundo tudo acontece.
dessa pedra morta
que traça uma fina linha no céu,
iluminando pensamentos sonhadores,
apagando esse tom breu
assim como todos os maus amores.
cedo o calor se torna apagar,
assim ditam as regras sem excepção,
mas elas foram feitas para quebrar,
como se quebra o coração.

Monday, April 04, 2011

Cores dos dias

dizem que é louca a cor amarela
de quem não sabe o que faz ou o que quer ter
cor que muitas vezes preenche a tela
que retrata os traços do meu ser

vezes essas que perco conta
como as noites que passo sem dormir
entregue a palavras presas numa ponta
desse lápis acabado de partir

laminas de grafite que cortam a pele
sujando o branco desse falso livro
cravando fundo letras no papel
como diamante num pedaço de vidro

o parecer simples da fragilidade
o simples passar com pele em veludo
as palavras presas na simplicidade
de uma história gritada em tons de mudo

sem qualquer ruído e uma só cor
o cinzento ocupa todo o espaço pedido
pergunto o porquê de não ter valor
deste poema não fazer qualquer sentido

e embora o céu brilhe em tom azulado
o dia ainda permanece cinzento
queria que o sol parecesse cansado
e que a lua aparecesse neste momento

para a ver mostrar essa luz tão bela
roubada a quem todo o dia brilhou
tantas vezes de cor amarela
cor com que esta história começou

Sunday, April 03, 2011

Fados de um jardim





hoje a névoa disfarçou o céu azulado,
num jogo de cumplicidade onde a lua tem seu papel,
destinados a uma longa eternidade lado a lado,
longe desta terra amarga como fel,
a janela permanece intacta, à espera do teu toque,
que recordo quente.
que lembra longas tardes em que o sol não dá lugar,
à lua, ao luar.
em que durante as horas finais ele rouba cada minuto,
como eu te roubo a ti,
para que possamos ficar mais um pouco acordados,
enquanto palavras tuas escuto,
como queria escutar aqui,
essa voz que me faz lembrar de fados.
sei que longe deles queres estar,
dona e senhora da razão,
mas há momentos em que não consegues evitar,
ouvir a voz do coração.

Saturday, April 02, 2011

Mãos Quentes


Gostava de deixar estas letras ao teu lado num despertar,
nessas manhãs de verão que ainda longe se encontram,
com palavras simples numa imitação do meu olhar,
enquanto vislumbro esses gestos que os teus cabelos moldam.
Falas a certa altura de inspiração,
do que torna diferentes essas páginas brancas,
do que é mas já foi passado na tua mão,
noites loucas foram tantas.
Puxas outro cigarro no meio da música,
deixas a névoa o livro imitar,
sem som ou cor,
apenas o misto de branco e preto,
dois opostos simples de um tom
que faz brilhar o teu olhar.
Tens as mãos quentes.
É tudo tão simples,
é sempre,
querer ver o que não conheço
como não vejo hoje a lua,
como não vejo a janela aberta do teu quarto
nem sinto as tuas mãos quando a fechares.

Thursday, March 31, 2011

Chuva

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir...

... Mariza (Chuva)