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Wednesday, July 06, 2011

Viagem sem data marcada

passei horas à procura de inspiração, aquele "plim" que não aparece. podia falar de mil e uma coisas, dedicar-te mais um texto ou meia dúzia de palavras, podia falar do dilúvio de problemas que inunda a nossa sociedade ou de casos isolados que não tiveram um final feliz. podia também lembrar-me das inúmeras histórias que, por entre lágrimas e sorrisos, ainda nos fazem sonhar. aquelas que alimentam a nossa imaginação e nos fazem crer que também a nós tudo de bom pode acontecer. podia reler textos teus, provar cada palavra na esperança que surgisse uma ideia, um toque de midas que pudesse tornar a escrita dourada, digna de por breves momentos ter a atenção do teu olhar. as horas, que apenas conto a cada conjunto de minutos, não são como o tempo que não pára, que parece não ter um grão de areia que impeça as suas engrenagens de rodar. também as saudades não param, por estarem amarradas ao tempo. subitamente me lembro o pouco sentido que isto faz, pois quando estou contigo o tempo corre, foge de todos os grãos, no entanto, as saudades param, adormecidas nos teus braços, presas ao teu olhar, embaladas pelo doce som do teu respirar. que pouco sentido isto faz, que pouco sentido a vida tem quando damos valor ao que não temos, quando incessantemente sonhamos, noite após noite, com essa viagem sem data marcada infinitamente adiada, perdida numa agenda onde o ano não tem os dias a que nos habituamos. como uma criança que não deixa de sonhar, contínuo à espera que alguém me leve para a neverland.

Monday, July 04, 2011

Ler palavras

tantas vezes leio as palavras que te escrevo, letra por letra tantas vezes. não sei que sentido isso faz, que sentido isso tem, esse acto de envolver o meu corpo em palavras que te dei, palavras que são tuas desde esse momento passado em que fugiram das minhas mãos, da minha boca e do meu pensar. como beijos que te dou, que te quero dar, inesgotável forma de prazer, que ao partir não tem mais voltar, mas que sabe tão bem nesses poucos segundos em que num ápice o tempo se desfaz. beijar teus lábios, por mais pura que seja a imaginação, é doce devaneio como estas palavras são. por mais que negue, e tu sabes que muitas vezes o faço, por muito que isso queira esconder, o certo é que quero muito que todas estas palavras, todas as que escrevi ou escreverei num amanhã presente, fiquem bem perto de ti, bem perto do que dizes que não tens, que não sentes, esse pedaço que esqueceste e que o tempo apagou. essas memórias que as lágrimas não apagam, que o tempo não esquece, ao contrário do que dizem, mas que a consciência oculta impunemente quando fico cativo, subjugado ao teu sorriso, a esse brilho imenso que me deixa prisioneiro do teu ser. não sei porque o fazes, nem porque me deixo levar, talvez tenha sido o tempo equivocado, que se enganou apagando o que não devia apagar.

Sunday, July 03, 2011

Conta-me tempo

tudo o que tenho pensado nestes dias é em tempo, já não penso em mim, em ti, em nós, simplesmente em tempo. tempo que não passa nem quer passar, segundos transformados em horas ou dias por essas malvadas transmutações a tender para o infinito, a levar-te para longe de mim. perdido em contagens decrescentes para te ter nos meus braços, nem isso, para te ter ao meu lado, pois este tempo não anda, parece magoado, partido, quebrado em fragmentos inconciliáveis, eternamente separados como nós parecemos estar. porque não se quebra esta linha de pensamento, porque não vai a tua imagem para longe de mim? conta-me, sussurra docemente ao meu ouvido as saudades que tens, de mim, de um beijo meu que nunca provaste. em sonhos, conta-me, o quanto queres segurar a minha mão, colá-la no teu peito enquanto me roubas esse desejado beijo. conta-me ou esconde-te nesse escudo de medo e arrependimento enquanto murmuras que me queres sem quereres, que me desejas sem me teres, que me adoras sem gostares, que me amas sem amares. conta-me o quanto querias que estivesse enrolado na tua pele, abraçado ao teu calor, seduzido pelo teu olhar, viciado no teu amor, louco pelo teu beijar... conta-me a nossa história com um final feliz, hoje, agora, conta-me ao ouvido, baixinho em tom de segredo, longe de lágrimas, tristeza e medo. enche de palavras a minha mente para que te possa provar, enquanto falas, enquanto ris, mas não pares, não interrompas essa linha de pensamento que te liga a mim, enquanto me contas... enquanto te peço, conta-me... o quanto gostas mim.

Thursday, June 30, 2011

Queria falar contigo

queria falar contigo, ontem ainda que por momentos mas tenho medo, medo que a conversa, o tempo que partilhas comigo cesse. mais uma vez quis matar a minha fome de saber de ti, mais uma vez a mim perguntei se por mim chamas, se em mim pensas, se comigo sonhas. eras tu que me procuravas, quando vi de relance um vulto passar? se eras, porque me deixaste só, parcimoniosamente no meio de sombras, sem merecer o gasto de um segundo em troca de um beijo acenado. que coisa te distrai que nem dás por mim? tenho medo de quebrar esse fio, com que teces os dias sem memória. que fosse tão fácil provar o teu beijo como provei que ontem te procurei, mas tenho medo, pois não sei se haverá caminho para regressar a ti mesmo sabendo que de ti não quero partir. as palavras ou beijos ou lágrimas, que deixaste no teu caminho para me dizeres que respiraste o meu corpo, ontem em noite que passou, dão me paz, mas deixam saudade de sentir o toque da tua pele. e o tempo não passa, não anda de tão imóvel que está, o mesmo tempo que apagará a tua existencia, que me faz querer dar-te a mão e assim ficar, eternamente, nesse horizonte onde o tempo não manda nem faz sentido, não existe nem é mensurável, mas tenho medo, que ele não me deixe provar a doçura que te envolve.

Tuesday, June 28, 2011

Pela manhã

hoje vi-te pela manhã, sempre doce, sempre tu, envolta nessa natureza tão rara e difícil de encontrar nos dias que hoje passam. dá-me a mão, pedi-te envergonhado, imaginando ainda sem te sentir, o calor de tardes de verão, o toque aveludado, o despertar de sentidos na palma da tua mão. dás passos na minha direcção marcando o tempo, a cada passo um pulsar de coração, a cada passo um segundo mais próxima de mim estás, a cada passo o tempo pára enquanto entras de rompante no meu mundo. horas contadas enquanto a tarde chega ao fim e a tão desejada noite faz a sua aparição. sinto que tudo o que escrevi, toda esta imaginação, me deixam mais perto de ti, mais perto da tua mão. pois de um sonho não passa esta história, como não passam estas letras do papel, mas uma coisa não me sai da memória, vi-te esta manhã e estavas doce como mel.

Monday, June 27, 2011

Vestido

perdidas em rascunho tinha estas letras soltas, na esperança de encontrar por fim o balsamo da inspiração. partilho crenças e saberes, mergulho nesse mar de ideias que me contas, concordo, discordo, tudo escrevo em pergaminho, guardando a eternidade na tentativa dantesca de resumir a vida numa folha só. mas contigo as palavras nunca acabam, não chega uma folha, nem duas, talvez nem uma vida. suposições de quem não sabe, de quem não quer saber quantas mais palavras me vais dizer, de quanto mais me darás a conhecer, ideias, ideais, muitas vezes o balsamo de que falo. sinto por vezes a tua falta, nesses dias que remo sozinho contra pessoas humanas, humanizadas à imagem do homem mas que de sapiens pouco ou nada têm. sapiens de discernimento é palavra proibida na sapiência que os envolve, que os guia nessa fome de se odiar uns aos outros, nesse misto de tradição e costume, imutável triste hábito que se mantém por gerações sem fim. palavras que não merecem ficar escritas, ideias que deviam desaparecer, evaporar-se como água em ponto de ebulição. mas regresso ainda à folha só, aquela que quero escrever e guardar eternamente, aquela onde estarão escritas todas as nossas conversas e discussões. regresso a ela para desenhar o teu vestido favorito, aquele que em dias usaste para nunca mais tirar... e eu gosto tanto... quando vestes o teu sorriso.

Mas ele não se cansa

mas ele não se cansa, não se esquece, lembra-se sempre de cada história que fica por contar.
corre louco vezes infinitas, tantas que se perde o conto nas lembranças de tempos aureos de romance. tempo em que tudo estava tão perto do perfeito como perto os lábios estão num beijo. nesse terrível erro da mente humana, a falta de volatilidade que não permite o esquecimento, fácil, repentino, incurável dor de perder um pedaço que pensávamos nosso. impaciência da tristeza de ver partir quem há tão pouco tempo chegou, quem entrou de rompante nas nossas vidas, durante anos que passaram num ápice, com ou sem promessas vitalícias num mundo para lá da terra do nunca, repleto de sonhos que ainda hoje estão escritos a caneta dando cor à mais branca das mentes.
como li em dias, esse pedaço de pedaços, esse puzzle de recordações onde a vida tantas vezes é criada, tantas como a morte escreve lá as suas preces, continua todos os dias a correr para o esquecimento, para a incompreensão, sem se cansar, sem se esquecer, à procura sem querer de alguém que escreva o seu nome nesse novo pedaço de coração.

Thursday, June 23, 2011

Perco sentidos

não me olhes assim, deixas-me sem jeito, desorientado, perdido na multidão. perco a noção do ser, esqueço mapas e caminhos sem poder voltar atrás. perco sentidos de sentir o toque da tua mão.
perco sentidos de ouvir o doce da tua voz, nessa mistura de imaginação repleta de desejo de provar, saborear lábios esses que o olhar jamais consegue, mesmo que por momentos, deixar de fixar. não é doce eu sei, mas também tu sabes que mais a miopia não deixa enxergar, que é cego aquele que nada vê, como cego é quem se deixa levar nessa eterna hipnose, nesse inquebrável feitiço do teu olhar.
dançam teus lábios a cada palavra que passa, dança o teu cabelo como em dias escrevi, provando assim que indefinidamente me deixo ficar, embriagado de desejo, querendo apenas que o verbo provar tome o sentido do paladar, o sabor que ainda agora imagino.
sinto o teu perfume, como se estivesses aqui, como sei que queres estar e ainda que os olhos me mintam, como todos os sentidos fazem, ainda oiço bem perto o som do teu doce respirar.

Tuesday, June 21, 2011

Pensas em mim

pensas em mim, não ontem ou há pouco, mas em cada momento que um abraço te apetece dar, roubar sem pedir ou prestar contas. pensas em mim, mesmo antes de dormir, na esperança que essa imagem que sonhas acordada, dê mais um passo na direcção da realidade, sonho indistinto de uma existência tão próxima de ti, mas tão distante de acontecer. pensas em mim, quando ouves aqueles sons inconfundíveis, sons que te fazem correr para a janela esperando ver a minha imagem, uma música, um carro, uma mensagem em que o meu nome é figura principal. pensas em mim quando não dou notícias, num misto de saudade ou falta de conversa, companhia ou fraqueza dessa tua resiliente independência. pensas em mim, quando metros nos separam e caminhamos em direcções opostas, quando basta um passo atrás para dar a volta ao mundo, ao teu mundo, ou ao meu. pensas em mim agora, enquanto lês este texto e perguntas o porquê de eu perguntar se pensas em mim... em ti eu pensei quando o escrevi.

Monday, June 20, 2011

Barco de papel

essa dúvida existencial que te persegue, que de existência pouco tem como também pouco se move, por estar cravada no teu ser e daí a companhia, desse mal que estraga o mais doce pensar. e se vês em mim traços que já viste em outrem, se pensas que devo ficar na hora de partir, se todos os minutos são poucos mesmo que a conversa já não importe, mas importa, e são tão poucos. e se te vejo ao longe, depois desse mar que tantas vezes percorro, em barcos de papel que me deste a fazer, na vontade de crer que somos nós que importamos, ainda que me importe tanto contigo sem querer. não procuro em ti aquilo que não és, mas noto que escondes, que guardas o melhor de ti... para ti. sim, somos nós que importamos. não vejo faces que não tens, apenas uma e a mesma de sempre. tantas vezes fico sem pensar só de pensar em ti, num eterno monólogo de ideias que me deixa sem palavras, sem reacção. só queria ter esse dom, esse impulso de roubar a rapidez com que entras na minha vida, para te abraçar sem fuga possível, quando a passos largos vais embora, quando quero que fiques mais um pouco ou me leves contigo para o teu mundo. o barco que uso para chegar ti está guardado, para que sempre possa lembrar-me da tua imagem, sem dúvidas ou questões, imagem repleta de desejo, feliz pela lembrança...
de ti.

Make love, not war

ainda vou encontrar um dia uma forma, talvez maneira ou feitio, de te deixar a ti sem palavras como a mim me deixas, vidrado nesse sorriso. não entendo nem sei o encanto, pois os porquês são mais que muitos, como a criança repleta de curiosidade questiona, eu questiono a tua pessoa apenas. e de tantas vezes sem resposta, tento compreender o teu silêncio, aquele que quero muito saber de cor. vou querer sempre mais, talvez mais do que atenção, aquilo que hoje já ninguém dá. quero ver a tua cor, quero provar cada beijo teu, cada pedaço de pele envolta em suaves arrepios. quero um gemido teu, um sim que arrepende e zela para que não termine, um bilhete apenas de ida para o bem que não se conhece, para o mal que se adora. quero que cuides de mim à tua maneira, que sei ser a melhor e no fim, quero saber o porquê de cada sorriso teu, mesmo que leve uma vida inteira a saber que a sua causa sou eu. mais uma vez não espero resposta, apenas esses olhos a brilhar com o teu sorriso… um dia destes.

Monday, May 16, 2011

Saber inato

cada vez mais chego à conclusão que o medo de mudança devora pessoas, corroi pensamentos e vontades. o espanto de receber mais do que alguma vez se espera incita o medo. perdeu-se esse sentimento inato, animalesco de pedir sempre mais, esse dom de cachorro ou gato que amua por não ter atenção e que quando a tem não se importa com a sua duração ou quantidade. essa memória de alguém quem não esquece por mais que o tempo passe, de quem não cansa por mais que a atenção exista, de quem nada pede quando o que existe se limita ao ar que respira, pequenas migalhas que são tanto para quem nada tem. infelizmente, o ser humano quebra a cada segundo que passa, de resiliência diminuta cedo perde o inato para dar lugar a costumes e fraquezas de quem desconfia de um punhado de conversa, de uma oferta fora de tempo ou da dádiva do ser que pertence a essa sociedade egoista que somos todos nós.

Perder-me em tempos

quero escrever algo que arrepie
quero presente porque pretéritos cansam
passado não é algo em que me fie
futuros não são tempos que me espantam

nesse curto espaço temporal
que separa o teu mundo do meu
perco a noção numa utopia
num sonho em que podia ser teu

e se há coisa mais irreal
pensamento em que jamais acreditaria
é que perder-me junto de ti
é desejo que pode acontecer um dia

ainda que longe estejas daqui
perdida num outro mundo
quero muito que me dês a mão
nem que seja por um segundo

e se não sentiste um pouco de calor
se o frio não correu em euforia
se não houve em ti um pedaço de amor
que prove que serás minha um dia

sinal é que falhei nesta minha missão
nessas noites em que te escutei
encantado pelo teu saber
esquecendo tudo o que conhecia
como desculpa para mais ouvir

por todas as vezes que olhei a tua mão
tantas vezes em lhe tocar pensei
no teu sorriso me quis prender
no teu olhar pensei que me perdia
quando no fundo tudo o que queria
era o doce dos teus lábios sentir

Monday, May 09, 2011

Sete de ti...

longos caminhos percorridos na companhia de nada mais que uma alma seca e vazia, palavras tuas que tantas vezes usaste, que agora a ti roubo para fazer delas minhas. uma vez e outra ainda também, para que como cego que não vê também eu possa ver, perdido neste labirinto que sei sem saída, que a tem, mas que está fechada a sete chaves, esse número imune à sorte de muitos, atrito ao azar de tantos, limiar de perfeição de civilizações extintas num legado de costumes.
entropia de ideias, de caminhos para seguir em frente, no ridículo da impossibilidade de atingir a perfeição da solução do problema, desse único número que escrevo separando a caneta do papel, como me separei de ti,
de ti..
de ti.. de ti..
de ti.. de ti.. e de ti.
dessas sete vezes que percorri labirintos para te encontrar, para te olhar enquanto por momentos, ouvi deliciado cada palavra, de todas as vezes que viajámos mais alto que nunca, nessa imitação perfeita do voar de aves de ossos ocos, como oco e vazio o mundo está agora. e nesta desordem idealistica procuro uma forma de ordenar o que só o acaso pode fazer.

Tuesday, May 03, 2011

Ondas do teu cabelo

houve dias de muitas conversas
presas no silêncio de dois tons
um mar eterno de ideias dispersas
passeando imersas numa noite de sons

a tua voz sempre muito mais presente
pequenas frases que ousas conjurar
colocas o teu saber na minha mente
inata vontade de me enfeitiçar

cedo me perco nas voltas do teu cabelo
nesse jogo permanente que não ousas parar
disfarce que esconde aquele tom tão belo
de tempos distantes difíceis de lembrar

corres sem medo para longe do conforto
de um mar fechado que não te deixa sentir
as ondas quentes lutando no porto
um tesouro guardado pronto a descobrir

e em cada sorriso que deixas fugir
quando nos perdemos a conversar
certamente deves sentir
que algo mais te quero roubar

Saturday, April 30, 2011

Doce tom rubro

nuvens negras pelo céu espalhadas
doce tom rubro espelhado no horizonte
tristeza e alegria de mãos dadas
vista esta imagem do cimo de uma ponte

mudanças foi apenas um tema
conjugado em todos os tempos
percorrendo os verbos de um esquema
partilhando certos momentos

é fácil roubar sorrisos
esquecer tudo por esses olhos verdes
lançar me num carrossel de esquissos
querer saber por quem te perdes

e nessas vezes que a mão te dei
em que a acção ignorou de longe o pensar
sabes tão bem quanto eu sei
que não era apenas isso que te queria dar

Sunday, April 10, 2011

Rocha fria pedra morta

viste aquela estrela?
raio de luz nesta noite quase dia,
pedra que rasga a pele de uma terra magoada,
que toca o ar que custa a respirar.
rocha fria.
rocha sem vida de tão gelada,
cedo aquece por dois corpos juntar
nesse jogo em que só um prevalece,
onde a beleza pouco ou nada importa,
pois num segundo tudo acontece.
dessa pedra morta
que traça uma fina linha no céu,
iluminando pensamentos sonhadores,
apagando esse tom breu
assim como todos os maus amores.
cedo o calor se torna apagar,
assim ditam as regras sem excepção,
mas elas foram feitas para quebrar,
como se quebra o coração.

Sunday, April 03, 2011

Fados de um jardim





hoje a névoa disfarçou o céu azulado,
num jogo de cumplicidade onde a lua tem seu papel,
destinados a uma longa eternidade lado a lado,
longe desta terra amarga como fel,
a janela permanece intacta, à espera do teu toque,
que recordo quente.
que lembra longas tardes em que o sol não dá lugar,
à lua, ao luar.
em que durante as horas finais ele rouba cada minuto,
como eu te roubo a ti,
para que possamos ficar mais um pouco acordados,
enquanto palavras tuas escuto,
como queria escutar aqui,
essa voz que me faz lembrar de fados.
sei que longe deles queres estar,
dona e senhora da razão,
mas há momentos em que não consegues evitar,
ouvir a voz do coração.

Saturday, April 02, 2011

Mãos Quentes


Gostava de deixar estas letras ao teu lado num despertar,
nessas manhãs de verão que ainda longe se encontram,
com palavras simples numa imitação do meu olhar,
enquanto vislumbro esses gestos que os teus cabelos moldam.
Falas a certa altura de inspiração,
do que torna diferentes essas páginas brancas,
do que é mas já foi passado na tua mão,
noites loucas foram tantas.
Puxas outro cigarro no meio da música,
deixas a névoa o livro imitar,
sem som ou cor,
apenas o misto de branco e preto,
dois opostos simples de um tom
que faz brilhar o teu olhar.
Tens as mãos quentes.
É tudo tão simples,
é sempre,
querer ver o que não conheço
como não vejo hoje a lua,
como não vejo a janela aberta do teu quarto
nem sinto as tuas mãos quando a fechares.