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Sunday, May 13, 2012

Imagination

Por vezes existe a sensação que nenhuma companhia é boa, porque em tempos foi boa de mais ou porque no entretanto de um piscar de olhos essa companhia se tornou a pior que podíamos ter. Um livro é sempre uma boa companhia, porque fala connosco e porque deixa saudades quando termina, porque o guardamos num canto e sabemos que ele lá estará sempre que precisarmos de companhia. Está preso a nós eternamente até que as suas folhas se apaguem calando a sua voz de uma vez por todas. Este ano custou a passar, os acontecimentos parecem infinitos e não param. Lembram o tempo, que no seu tic tac continua a contar segundos e minutos, sem pressa de concluir a sua interminável jornada para o fim da existência. As companhias que aparecem não são boas. Podiam ser, se o patamar não estivesse agora tão alto, num lugar onde tão poucas pessoas conseguem chegar. Por mais egoísta que possa parecer, é essa a verdade. Não existe um pouco de interesse na futilidade de conversas que já cansam, que não dão origem a sinapses, a impulsos que correm desenfreadamente por esses pedaços de gente que ninguém sabe bem explicar, misturando pensamentos, ideias, desejos e sonhos. Por mais que o homem estude o cerebro, não consegue encontrar o seu segredo. Não consegue entender como a imaginação é formada, como essa mistura de ideias consegue fazer algo novo, algo antigo, algo que fez ou fará a obra nascer. A imaginação fascina-me, hoje e sempre. Imagem daqui

Sunday, January 22, 2012

até aos 30

"É raro ver-se um artista na casa dos 30 ou dos 40 anos contribuir com alguma coisa realmente extraordinária." é raro hoje encontrar alguma coisa que realmente interesse, alguém que realmente interesse, alguém fantástico, que entenda, compreenda, veja com olhos de ver diversos pontos de vista, ainda que muitas vezes não partilhe a mesma opinião. confesso que não partilho muitas das opiniões que vejo todos os dias, confesso que não tenho paciência e que estou cada vez mais desiludido com o meu país, com as pessoas que nele vivem e até com a minha vida. estou cansado e farto de tanta ignorância. longe de mim saber tudo, mas tento em todos os momentos ver ambos os lados. mas por muito racional que seja, ainda não consigo controlar o irracional. no dia que conseguir esse feito vou ser feliz. até lá continuarei reduzido à minha insignificancia. até aos 30 ainda tenho tempo, talvez nessa altura compreenda se estava certo ou se sempre estive errado. talvez nessa altura haja saudade da altura em que ainda não tinha 30 anos, da altura em que me preocupava mais com o mundo que me rodeia do que comigo.

Wednesday, December 28, 2011

Mil pormenores

ao escrever as frases que se seguem estou a contrariar um pouco a minha filosofia de vida. estou no entanto, também a dar-lhe um suporte ideológico credível. viver a curto prazo implica uma maior intensidade, uma maior dedicação temporal e emocional da pessoa que assim vive. é certo que numa sociedade como a que vivemos, faz muito mais sentido viver a longo prazo, com a ideia de que a vida é uma aproximação irreal de algo infinito. o facto de se viver a longo prazo leva muitas vezes ao desleixo e à falta de valores. não existe riqueza nenhuma no mundo que pague muitos dos bens que temos ao nosso dispor desde o dia que nascemos, sejam bens humanos, materiais ou mesmo intelectuais. um exercício conhecido e muito criticado é o ensaio sobre a cegueira, retratado por alguém que merece a minha mais profunda admiração, pelas ideias, pela crença e pela originalidade. poucas pessoas imaginam o mundo sem ver, poucas pessoas dão o devido valor a esse bem... talvez porque nunca o perderam.
poucas pessoas dão valor aos amigos. amigo é qualquer um, qualquer colega, qualquer pessoa que vá na rua. muitas vezes até os inimigos fazem parte dos seus amigos. não é dado o devido valor, a dedicação necessária, a atenção e o tempo. sim o tempo. como se não fosse preciso tempo para dar valor, tempo para dar dedicação ou tempo para dar atenção. é preciso tempo para todas elas, mas como é a vida, também o tempo é limitado, tal como a lista de amigos deve ser, pois só assim a palavra terá o verdadeiro sentido.
podia enumerar bens e mais bens, água, luz, comida, um carro, telefone, ouvir, andar, os dedos de uma mão.
cada vez mais as pessoas vivem habituadas a ter, esquecem os pormenores e consideram tudo como dados adquiridos. é triste que assim seja, especialmente para alguém que vive assim, a curto prazo, onde o dia a dia é feito de pequenos pormenores que fazem o mundo um sítio tão melhor.
às vezes basta ouvir uma palavra, basta olhar e reconhecer um gesto, basta ter a coragem de ser diferente. muitos não fazem ideia, outros fazem e entendem-me perfeitamente.
para eles a vida passa antes que a possamos viver. para eles, que apenas existiram, não há mil pormenores para descobrir amanhã, dois amigos para cuidar e uma pessoa para amar, existe apenas um passado incompreensível e um futuro sem rumo.
"Quem tem um porquê de viver, quase sempre encontrará o como." Nietzsche

Friday, September 02, 2011

Janela

passei a semana sem dizer nada, nada que tu ouvisses, nada que motivasse uma resposta, um sinal de que a saudade existe. há dias sai de ti. apetece-me agora perguntar a esses olhos verdes se devia ter ficado mais um pouco. o que são esses sorrisos? o que escondes? ou não escondes nada... nesse misterioso dom que eu quero provar. nesse vício que me pegaste, nesse vício de ti. mas passei a semana sem fazer nada, nada que tu sentisses, nada que motivasse um toque teu, em mim. quero aquele beijo que ficou por dar, aquele que disse que iria roubar quando estávamos a despir ideias um do outro. e tu? o que pensaste? o que pensas agora que não fiz nada para te lembrar que existo, despido de preconceitos, entregue a devaneios que me levam até ti. gostava de te ver agora à janela, roubar-te um abraço, apenas para te lembrar que pensei em ti esta a semana, para que me ouvisses, para que sentisses, para que soubesses que a saudade existe.

Friday, August 26, 2011

Urgente

Entrego-me à urgência do conhecimento, procurando cura para a mente entorpecida que não me deixa ver, escrever, imaginar um futuro sereno, simples e puro. deita-te, descansa, deixa-me olhar o teu ser por esta noite. é urgente destruir a saudade, o lamento e todas essas guerras que te atormentam. é urgente querer um beijo, um acordar, uma manhã clara e radiante como o teu sorriso perpétuo, o teu sorriso em cada beijo que te roubo.
alma pactuante nesse rapto consentido,
corre pelo meu quarto assim,
espalha o teu aroma,
entrega-me o teu corpo nesse tom atrevido,
cola-te em mim,
somos um não uma soma.
leva-me nessas palavras que me dizes ao ouvido,
eterna embriaguez,
olhar teus olhos de perto,
encontra-me nesse meu mundo em que estava perdido,
vamos ser loucos outra vez,
isso, é mais que certo.
é urgente acontecer tudo o que disse até agora,
que o amanhã chegue depressa,
num segundo,
sem demora.


imagem daqui.

Tuesday, August 23, 2011

Brazileira

Manténs essa imensa altivez
permaneces impávido e sereno
enquanto as pessoas aguardam a vez
para pousar com o belo monumento

Pouco ou nenhum ser tem o dom,
de ser homónimo de nome teu,
elogiar o teu génio orpheu
sem de ti esperar um só som

Voltar atrás a esses dias
passados na brasileira a falar
divagar por repúblicas e monarquias
ou apenas ricardos e albertos lembrar

Eterno desassossego entregue ao relento
como mendigo que dorme e sonha na rua
invejo a tua sorte por a cada momento
sentires quente na pele a luz da lua

Por teres o silêncio pela manhã
por teres a conversa pela tarde
a noite apaga o dia de amanhã
e no copo o absinto ainda arde

Friday, July 15, 2011

Imaginação

quatro minutos enquanto espero por ti, enquanto conto todos os segundos nesta eterna espera por um beijo teu, por esse desejado provar de faces rosas, esse querer sentir o toque das tuas mãos. sinto-me midas sem te querer transformar pois preciosa já tu és. basta pensar nesse brilhar, nesses brilhos que te envolvem, nesse olhar, nesses olhos que deslumbram e nesse sorriso que espero cativar. anda, caminha na minha direcção, espero aqui por ti, só neste banco de jardim, espero aqui que o tempo corra depressa para depois parar, cansado, quando estiveres junto de mim, abraçada nos meus braços. oito minutos passaram e nem sinal de ti, duas eternidades desde que comecei a contar, como eternas são as ondas que passeiam neste rio, curvas aleatórias como o tempo que teima em parar quando depressa devia andar. dezasseis eternos minutos que passaram, o quadrado do principio, desespera o meu mundo num imenso receio que te tenhas perdido, qual triângulo quais bermudas, incontrolável desejo de te ver. passam trinta e dois agora e vejo ao longe a tua imagem, sinto o corpo a fervilhar num nervoso miudinho. quero tanto a tua voz que não imagino outro querer, quero provar o teu sabor teu beijo doce de prazer. trazes contigo o calor que aquece as minhas mãos, trazes contigo o sorriso que eu tanto desejei, trazes contigo a pessoa com quem em muitas noites sonhei. adeus imaginação.

Monday, July 11, 2011

Quatro tempos

porquê tanto desespero, porque me deixo envolver nesse imenso desejo de ter a tua resposta, meras palavras escritas como forma de atenção. não te conheço, não sei quem és, mas quero tanto, tanto saber. talvez desespero não seja a palavra, quimera, aquela palavra que melhor traduz esta imensidão de sentimentos que não sei explicar, que não sei contar ou dizer em palavras, que mesmo escrevendo e por mais longo que seja o texto, por mais folhas brancas que rasgue, porque o papel não sente como eu, porque em mil palavras não consigo mostrar a imagem, porque são sentimentos e não se vêem...
sentem-se...
escutam-se...
porquê?
porque escuto o sopro de um coração que não é meu...
fechado a sete chaves quando nem uma só eu tenho, colorido por sete cores em tom de arco íris, a ti pergunto se partilhas cores comigo, se comigo queres pintar um céu azul da cor do mar, um sol amarelo? não espera, em tom alaranjado nesse adormecer de fim de tarde. deixa-te levar, cai, deita-te a meu lado nessa terra pintada de verde, violeta ou indigo de flores da primavera, ou se te perdes neste verão de calor que deixa a tua face rosada, sem mascaras ou véus que escondam o teu sorriso. deixo apenas duas estações das quatro que vamos tendo, desses quatro tempos é este o que mais gosto e pergunto-te a ti por inata curiosidade, dessa história de quatro contos qual te traz mais felicidade?

Thursday, July 07, 2011

Conta-me histórias

já por diversas vezes te pedi para me contares, teus desejos, virtudes, segredos. perdi o conto das vezes que te pedi para me contares, sem medos ou hesitações, sem redoma de vidro que te proteja de males maiores, pedi para me contares. mas como pode essa parede invisível, tão fácil de quebrar, essa película que te envolve e que parece já fazer parte do teu ser, esse escudo com que ocultas toda e qualquer fraqueza, como pode isso impedir que me contes a tua história. duvidas que escutarei cada segundo, deliciado em pormenores, questionando detalhes que me deixam ver aquilo que essas paredes invisíveis ocultam, que me deixam escutar cada palavra que os teus lábios me dão enquanto sinto o quanto estás perto de mim. dá-me a tua mão, não quero esperar que dês a volta ao mundo para te ver de novo, por mais pequeno que seja o meu mundo sem ti, por mais curto que seja esse caminho, por menor que seja o tempo que demores a voltar, não vás, fica para que possa ouvir a tua história, para que a possas contar como te pedi.

Wednesday, July 06, 2011

Viagem sem data marcada

passei horas à procura de inspiração, aquele "plim" que não aparece. podia falar de mil e uma coisas, dedicar-te mais um texto ou meia dúzia de palavras, podia falar do dilúvio de problemas que inunda a nossa sociedade ou de casos isolados que não tiveram um final feliz. podia também lembrar-me das inúmeras histórias que, por entre lágrimas e sorrisos, ainda nos fazem sonhar. aquelas que alimentam a nossa imaginação e nos fazem crer que também a nós tudo de bom pode acontecer. podia reler textos teus, provar cada palavra na esperança que surgisse uma ideia, um toque de midas que pudesse tornar a escrita dourada, digna de por breves momentos ter a atenção do teu olhar. as horas, que apenas conto a cada conjunto de minutos, não são como o tempo que não pára, que parece não ter um grão de areia que impeça as suas engrenagens de rodar. também as saudades não param, por estarem amarradas ao tempo. subitamente me lembro o pouco sentido que isto faz, pois quando estou contigo o tempo corre, foge de todos os grãos, no entanto, as saudades param, adormecidas nos teus braços, presas ao teu olhar, embaladas pelo doce som do teu respirar. que pouco sentido isto faz, que pouco sentido a vida tem quando damos valor ao que não temos, quando incessantemente sonhamos, noite após noite, com essa viagem sem data marcada infinitamente adiada, perdida numa agenda onde o ano não tem os dias a que nos habituamos. como uma criança que não deixa de sonhar, contínuo à espera que alguém me leve para a neverland.

Tuesday, July 05, 2011

O brilho do olhar e o som do palpitar

por entre centenas de textos teus andei perdido, de uma ponta a outra tudo li, tudo mesmo. comecei no nada, envolto em silêncio, tão grande que incomoda e gera apatia como dizes. senti. senti tantas vezes como tu o medo dessas paredes que separam mundos, invisíveis como vidro, que poucos entendem, que a tão poucos importam. essas paredes que ficam sujas de chuva, um sujo que não se vê, mas que se ouve, que se escuta tão bem como o palpitar desse pedaço que tens no peito. sem palavras pendentes, que ficam por dizer, porque ele não fala apesar de o podermos escutar, apesar de tão bem se poder entender. podemos ver a chuva correr por essas paredes, como lágrimas numa face rosada, lágrimas que não escutamos, que não falam mas que podemos entender tão bem. senti. há quem nada sinta, quem se abstraia, quem tenha faces, tantas como um cubo que roubo da tua explicação, há quem tenha só uma, mas é tão difícil, quase tanto como escutar o pedaço ou entender esse brilho no teu olhar. é mais fácil usar uma "máscara de sorrisos e malmequeres" que tudo esconde, excepto o brilho no olhar e som do palpitar.

Monday, June 27, 2011

Vestido

perdidas em rascunho tinha estas letras soltas, na esperança de encontrar por fim o balsamo da inspiração. partilho crenças e saberes, mergulho nesse mar de ideias que me contas, concordo, discordo, tudo escrevo em pergaminho, guardando a eternidade na tentativa dantesca de resumir a vida numa folha só. mas contigo as palavras nunca acabam, não chega uma folha, nem duas, talvez nem uma vida. suposições de quem não sabe, de quem não quer saber quantas mais palavras me vais dizer, de quanto mais me darás a conhecer, ideias, ideais, muitas vezes o balsamo de que falo. sinto por vezes a tua falta, nesses dias que remo sozinho contra pessoas humanas, humanizadas à imagem do homem mas que de sapiens pouco ou nada têm. sapiens de discernimento é palavra proibida na sapiência que os envolve, que os guia nessa fome de se odiar uns aos outros, nesse misto de tradição e costume, imutável triste hábito que se mantém por gerações sem fim. palavras que não merecem ficar escritas, ideias que deviam desaparecer, evaporar-se como água em ponto de ebulição. mas regresso ainda à folha só, aquela que quero escrever e guardar eternamente, aquela onde estarão escritas todas as nossas conversas e discussões. regresso a ela para desenhar o teu vestido favorito, aquele que em dias usaste para nunca mais tirar... e eu gosto tanto... quando vestes o teu sorriso.

Wednesday, June 08, 2011

Um dia já é tarde de mais

li, um dia, esse texto teu
repleto de verdades e lições
mostrava que tudo o que o mundo me deu
resultava das minhas acções

falava da simplicidade inata
assim à primeira vista parece
ou daquele amigo que faz falta
até ao dia em que se esquece

de beijos dados sem pensar
com saudades presas na memória
numa guerra perdida a chorar
nessa vida que dava uma história

um conto de fadas de encantar
com provas de amor até mais não
das que fazem palpitar
o mais rebelde coração

e denotas aquele erro mais comum
que é ignorar o tempo passar
pois os anos passam um a um
para depressa a vida acabar

e se achas que somos todos iguais
que nunca é palavra a usar
é errado que digas jamais
me vou voltar a apaixonar

uma prova tão simples e complicada
de quem pouco ou nada te liga
de quem te vê sonhar acordada
a quem ensinaste uma lição de vida

por todas vezes que me prendi ao teu olhar
enquanto escutava a longa explicação
não perdi a coragem de lutar
para um dia conquistar teu coração

Monday, May 16, 2011

Saber inato

cada vez mais chego à conclusão que o medo de mudança devora pessoas, corroi pensamentos e vontades. o espanto de receber mais do que alguma vez se espera incita o medo. perdeu-se esse sentimento inato, animalesco de pedir sempre mais, esse dom de cachorro ou gato que amua por não ter atenção e que quando a tem não se importa com a sua duração ou quantidade. essa memória de alguém quem não esquece por mais que o tempo passe, de quem não cansa por mais que a atenção exista, de quem nada pede quando o que existe se limita ao ar que respira, pequenas migalhas que são tanto para quem nada tem. infelizmente, o ser humano quebra a cada segundo que passa, de resiliência diminuta cedo perde o inato para dar lugar a costumes e fraquezas de quem desconfia de um punhado de conversa, de uma oferta fora de tempo ou da dádiva do ser que pertence a essa sociedade egoista que somos todos nós.

Thursday, April 28, 2011

Sentidos

segredos escondidos num horizonte distante
sonhos perdidos numa obcessão sem fim
desejo impunente pela perfeição constante
fará sentido viver a vida assim

patamares regidos por regras utópicas
artigos definidos no longe passado
máscaras de acções irreais metamóficas
fará sentido viver a vida amarrado

sociedades podres de tão fracas mentes
hábitos boémios da vida presente
leis dadas por cerebros dormentes
fará sentido viver esta vida demente

pessoas estragadas sem algo de bom
guiadas por gostos eufeminizados
transmutam os deveres para o seu tom
fará sentido viver sobre direitos passados

beleza ditada por gente sem gosto
formas que tocam de perto a destruição
vidas em risco apenas por um posto
fará sentido viver sem compaixão

Tuesday, April 26, 2011

Utopia

gostava de ter caneta
para estas palavras te dar
podia ser azul ou preta
só queria que as pudesses guardar

o teu sorriso numa folha de papel
ilustre desconhecida em terra de ninguém
desenhado em contornos de uma pele
bem longe do meu toque porém

nesses metros que separam
o teu olhar de se cruzar com o meu
muitos sem saber passaram
desconhecendo o quanto queria ser teu

nunca é uma palavra de mentira
pois sei que não mais te verei
tomo o folego de quem não respira
e só com estas palavras ficarei

não perco a esperança de um dia
apenas e só por mero acaso
perceber que não era apenas eu que queria
a este pequeno sonho dar aso

perdido na mais pura imaginação
vou continuar a escrever
palavras que um dia significado terão
se na minha companhia te quiseres perder.

Monday, April 18, 2011

Preciso querer

fazes bem ao meu pensar neste vazio de memórias, longe dos pensamentos de outrora está o calor que não esqueço, esse ansia de ter, de querer mais do que devo, mais do que mereço. em tempos que estão longe, como se o tempo fosse algo que pode estar, que passa ao sabor do vento mas não anda nem está parado. esse mar de contradições, sentimentos, escolhas e decisões, querer a tua companhia no meu regaço, que fiques perto, bem perto do meu sorriso pois fazes parte dele em todo e qualquer momento. em suma, resumindo a essência de pequenas certezas, preciso de ti felicidade.

Tuesday, April 12, 2011

Eufemismos

hoje, mais uma vez me disseram, usando palavras simpáticas, que vivo na utopia da caracterização alheia, num misto de agradar com sobrevalorização da pessoa que se encontra em conversa comigo. há quem goste do que escrevo e que sonhe com dedicatórias semelhantes, no entanto, cedo percebem que elogio, que digo o que penso sem medo de pensar, seja bom, seja mau. penso de forma diferente, com conceitos que poucos usam e que a ninguém importa, apenas a mim. não vou mudar a minha forma de pensar, mas entristece-me a forma como me tratam, pensei que merecia algo mais, algo melhor. talvez não mereça, talvez o ignorar e o "mau trato" sejam a base de tudo.

Monday, April 11, 2011

Crises de direitos

um pequeno à parte no habitual conteúdo do blog onde reinam rimas e palavras bonitas, floreados literários que muitas vezes adquirem multiplos sentidos para quem lê, mas que para mim, apenas numa direcção, são claros como água.
abordo uma questão que de certa forma me irrita, a crise política e económica que atravessamos, a luta por direitos, sempre por direitos esquecendo deveres.
há quem culpe políticos pelo que passamos, outros culpam entidades de regulação económica e bancos, capitalismo e globalização, petróleo e especulação, não faltam "bodes" para espiar.
mas a resposta à crise que atravessamos neste momento é muito simples: portugal é um país onde se gastou sempre mais do que se tinha. basta olhar para a época dos descobrimentos, quando o ouro chegava em barcos para honrar a podridão da igreja de então sobre a forma de talha dourada. uma breve comparação com essa época basta para ver o quanto este hábito se encontra enraizado na nossa cultura.
há muito que defendo que a razão de algumas políticas falharem é a falta de educação da população em geral, uma multidão vidrada para direitos sem olhos para deveres, sem margem para cedências em prol do bem geral, onde os vícios e uma mistura de inveja e de desejo de querer mais do que quem mora na casa do lado levam a um endividamento exponencialmente crescente. uma política economica irracional e expancionista, onde o emprestar sem margens de segurança, leva a população a gastos desmesurados em bens, muitos deles superfulos, que pertencem a classes economicamente superiores, muitas delas também em situação precária neste momento. não querendo estratificar a sociedade, apesar de assim o parecer, defendo que o crescimento deve ser sustentado e essa filosofia deve ser aplicada a cada família. cada pessoa ou conjunto de pessoas deve ter perfeita noção de onde pode chegar, de quanto e quando pode gastar.
certo que muitos não têm possibilidades, como se costuma dizer, mas muitos têm também vergonha de pedir apoio a entidades que o dão, mais uma vez porque o vizinho não pode saber.
a irresponsabilidade banqueira ajudou à situação, onde primeiro os bancos e mais tarde as empresas de "crédito fácil", levaram ao endividamento herculaneo de muitas famílias. portugal comportou-se exactamente como a maioria das famílias portuguesas, compras atrás de compras, obras e carros, um governo à imagem de portugal, gastanto mais do que podia e devia endividando-se mais do que recomendável até ao ponto de pagar a prestação da casa com o cartão de crédito.
por tudo isto digo que a culpa não foi única e exclusivamente dos políticos, mas de todos os que se comportaram de forma economicamente irresponsável. posso ser mal entendido por muitos, mas estou convicto que a minha opinião está correcta em muitos aspectos, estando também aberta a algumas melhorias que encaixem de forma adequada.

Monday, April 04, 2011

Cores dos dias

dizem que é louca a cor amarela
de quem não sabe o que faz ou o que quer ter
cor que muitas vezes preenche a tela
que retrata os traços do meu ser

vezes essas que perco conta
como as noites que passo sem dormir
entregue a palavras presas numa ponta
desse lápis acabado de partir

laminas de grafite que cortam a pele
sujando o branco desse falso livro
cravando fundo letras no papel
como diamante num pedaço de vidro

o parecer simples da fragilidade
o simples passar com pele em veludo
as palavras presas na simplicidade
de uma história gritada em tons de mudo

sem qualquer ruído e uma só cor
o cinzento ocupa todo o espaço pedido
pergunto o porquê de não ter valor
deste poema não fazer qualquer sentido

e embora o céu brilhe em tom azulado
o dia ainda permanece cinzento
queria que o sol parecesse cansado
e que a lua aparecesse neste momento

para a ver mostrar essa luz tão bela
roubada a quem todo o dia brilhou
tantas vezes de cor amarela
cor com que esta história começou