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Sunday, May 13, 2012
Imagination
Por vezes existe a sensação que nenhuma companhia é boa, porque em tempos foi boa de mais ou porque no entretanto de um piscar de olhos essa companhia se tornou a pior que podíamos ter. Um livro é sempre uma boa companhia, porque fala connosco e porque deixa saudades quando termina, porque o guardamos num canto e sabemos que ele lá estará sempre que precisarmos de companhia. Está preso a nós eternamente até que as suas folhas se apaguem calando a sua voz de uma vez por todas. Este ano custou a passar, os acontecimentos parecem infinitos e não param. Lembram o tempo, que no seu tic tac continua a contar segundos e minutos, sem pressa de concluir a sua interminável jornada para o fim da existência.
As companhias que aparecem não são boas. Podiam ser, se o patamar não estivesse agora tão alto, num lugar onde tão poucas pessoas conseguem chegar. Por mais egoísta que possa parecer, é essa a verdade. Não existe um pouco de interesse na futilidade de conversas que já cansam, que não dão origem a sinapses, a impulsos que correm desenfreadamente por esses pedaços de gente que ninguém sabe bem explicar, misturando pensamentos, ideias, desejos e sonhos. Por mais que o homem estude o cerebro, não consegue encontrar o seu segredo. Não consegue entender como a imaginação é formada, como essa mistura de ideias consegue fazer algo novo, algo antigo, algo que fez ou fará a obra nascer.
A imaginação fascina-me, hoje e sempre.
Imagem daqui
Tuesday, July 05, 2011
O brilho do olhar e o som do palpitar
por entre centenas de textos teus andei perdido, de uma ponta a outra tudo li, tudo mesmo. comecei no nada, envolto em silêncio, tão grande que incomoda e gera apatia como dizes. senti. senti tantas vezes como tu o medo dessas paredes que separam mundos, invisíveis como vidro, que poucos entendem, que a tão poucos importam. essas paredes que ficam sujas de chuva, um sujo que não se vê, mas que se ouve, que se escuta tão bem como o palpitar desse pedaço que tens no peito. sem palavras pendentes, que ficam por dizer, porque ele não fala apesar de o podermos escutar, apesar de tão bem se poder entender. podemos ver a chuva correr por essas paredes, como lágrimas numa face rosada, lágrimas que não escutamos, que não falam mas que podemos entender tão bem. senti. há quem nada sinta, quem se abstraia, quem tenha faces, tantas como um cubo que roubo da tua explicação, há quem tenha só uma, mas é tão difícil, quase tanto como escutar o pedaço ou entender esse brilho no teu olhar. é mais fácil usar uma "máscara de sorrisos e malmequeres" que tudo esconde, excepto o brilho no olhar e som do palpitar.
Monday, June 06, 2011
Querer não poder
mas com um segundo sentido
daquelas que à medida que as palavras saem
doce levemente
palavras que só queremos ouvir
que deixam sonhos na tua mente
quando olho e vejo aquele olhar
aquele sorriso...
doce
mas eu não falo de olhares
falo de palavras que dizem ser o meu dom
pois não tenho o doce do olhar
ou no olhar....
que ao sangue te traz o calor
assim gostava de te deixar ficar
que na minha presença sentisses o furor,
a agitação de quereres o que não podes,
mas que queres com todas as forças
de me quereres roubar um dia, dois,
um minuto que seja por alguns segundos de loucuras
que sei que não queres, porque não é a minha presença que te faz sorrir
e nessas loucuras, onde nem sempre há palavras,
é o corpo que manda, o ver, o tocar,
aquilo que não se promete uma outra vez
apesar de em nada mais se pensar depois desse provar
depois de morder a maça proibida,
esse fruto de desejo, de loucura,
essa forma de matar a fome de algo que apenas se deve sonhar
viver essas coisas que dizes e sonhar com o momento
mas sabe tão bem provar
mordiscar cada pedaço,
apenas para que sintas esse arrepio
saborear
é diferente
apenas para que não esqueças que um dia fui teu
aí acho que fica mesmo bem saborear
"mas sabe tão bem saborear"
uma noite, nesses loucos minutos em que cedeste a encantos meus
uma noite que pode estar tão perto
perto como o teu sorriso está do meu
neste momento
neste fim de tarde
neste segundo
daquelas que à medida que as palavras saem
doce levemente
palavras que só queremos ouvir
que deixam sonhos na tua mente
quando olho e vejo aquele olhar
aquele sorriso...
doce
mas eu não falo de olhares
falo de palavras que dizem ser o meu dom
pois não tenho o doce do olhar
ou no olhar....
que ao sangue te traz o calor
assim gostava de te deixar ficar
que na minha presença sentisses o furor,
a agitação de quereres o que não podes,
mas que queres com todas as forças
de me quereres roubar um dia, dois,
um minuto que seja por alguns segundos de loucuras
que sei que não queres, porque não é a minha presença que te faz sorrir
e nessas loucuras, onde nem sempre há palavras,
é o corpo que manda, o ver, o tocar,
aquilo que não se promete uma outra vez
apesar de em nada mais se pensar depois desse provar
depois de morder a maça proibida,
esse fruto de desejo, de loucura,
essa forma de matar a fome de algo que apenas se deve sonhar
viver essas coisas que dizes e sonhar com o momento
mas sabe tão bem provar
mordiscar cada pedaço,
apenas para que sintas esse arrepio
saborear
é diferente
apenas para que não esqueças que um dia fui teu
aí acho que fica mesmo bem saborear
"mas sabe tão bem saborear"
uma noite, nesses loucos minutos em que cedeste a encantos meus
uma noite que pode estar tão perto
perto como o teu sorriso está do meu
neste momento
neste fim de tarde
neste segundo
Thursday, June 02, 2011
é pena não ser hoje
nada paga muito do que eu li em dias anteriores
ah não
não conheces
por vezes gostava de ter má memória
o que eu vi apagou tudo
uma coisa eu cheguei à conclusão
eu não mereço ou mereci um décimo do que passei até hoje
em coisas que me magoaram
nem eu
e podem-me dar tudo
o mundo e mais qualquer coisa
que nunca vou apagar cada lagrima que chorei
pelas mais diversas pessoas
nunca nada paga
é mesmo assim
e olha que poucas, muito poucas vezes fui eu que criei a situação que mais tarde me magoou
costumam dizer que cada um tem o que merece
eu também nao ando propriamente calmo
eu nao mereço
ou que cada um faz a cama onde se ha-de deitar
mas há algo de errado quanto a esses ditados
só para nós o mundo anda desconcertado
a tal excepção à regra
já dizia Camões
um dia ainda vou entender o mundo
só é pena não ser hoje
mas gosto assim mesmo
ser perfeito em toda a sua imperfeição
ah não
não conheces
por vezes gostava de ter má memória
o que eu vi apagou tudo
uma coisa eu cheguei à conclusão
eu não mereço ou mereci um décimo do que passei até hoje
em coisas que me magoaram
nem eu
e podem-me dar tudo
o mundo e mais qualquer coisa
que nunca vou apagar cada lagrima que chorei
pelas mais diversas pessoas
nunca nada paga
é mesmo assim
e olha que poucas, muito poucas vezes fui eu que criei a situação que mais tarde me magoou
costumam dizer que cada um tem o que merece
eu também nao ando propriamente calmo
eu nao mereço
ou que cada um faz a cama onde se ha-de deitar
mas há algo de errado quanto a esses ditados
só para nós o mundo anda desconcertado
a tal excepção à regra
já dizia Camões
um dia ainda vou entender o mundo
só é pena não ser hoje
mas gosto assim mesmo
ser perfeito em toda a sua imperfeição
Tuesday, April 12, 2011
Eufemismos
hoje, mais uma vez me disseram, usando palavras simpáticas, que vivo na utopia da caracterização alheia, num misto de agradar com sobrevalorização da pessoa que se encontra em conversa comigo. há quem goste do que escrevo e que sonhe com dedicatórias semelhantes, no entanto, cedo percebem que elogio, que digo o que penso sem medo de pensar, seja bom, seja mau. penso de forma diferente, com conceitos que poucos usam e que a ninguém importa, apenas a mim. não vou mudar a minha forma de pensar, mas entristece-me a forma como me tratam, pensei que merecia algo mais, algo melhor. talvez não mereça, talvez o ignorar e o "mau trato" sejam a base de tudo.
Wednesday, March 30, 2011
Dia de amanhã
já não me lembro se o assunto foi monologado por estes lados em publicações anteriores, talvez porque muitas vezes penso nele, se sim servirá este texto para reforçar a ideia, se não será apenas a primeira vez de muitas.
complicado paragrafo de introdução, como complicada é a questão que tão poucas vezes corre desenfreadamente entre sinapses, imagens e pensamentos que preenchem o trabalho dos nossos neurónios. apesar de viver um pouco o dia a dia sem pensar no que virá amanhã contínuo a encontrar com elevada frequência quem não faça o mesmo, quem se guarde de males maiores por medo ou precaução. não estou a aconselhar que se viva assim, até porque é necessário perceber a razão para o fazer. mas como qualquer regra existem excepções e é nessas alturas que é simples chegar à conclusão que é bom continuar a viver um dia de cada vez.
pelas minhas contas, que não costumam falhar muito e vendo apenas a perspectiva pessimista estarei cego do olho direito daqui a 5 anos. provavelmente terei algum problema cardíaco nos próximos 5 a 15 anos. podia ser ainda mais pessimista e incluir mais alguns que só de pensar fazem arrepios, mas ficam para já estes dois que ainda vão dando que pensar, especialmente o primeiro, já que o olho esquerdo também já teve melhores dias. não ver foi talvez o acontecimento que mais me marcou e não desejo isso a ninguém, desejo sim que vejam o ensaio sobre a cegueira e que aprendam com ele uma lição, mais uma das muitas que aprendi com quem já cá não está. eu não vi, senti e é sentindo que se vive os dias com a intensidade devida, porque passatempos há muitos, vida só temos esta.
complicado paragrafo de introdução, como complicada é a questão que tão poucas vezes corre desenfreadamente entre sinapses, imagens e pensamentos que preenchem o trabalho dos nossos neurónios. apesar de viver um pouco o dia a dia sem pensar no que virá amanhã contínuo a encontrar com elevada frequência quem não faça o mesmo, quem se guarde de males maiores por medo ou precaução. não estou a aconselhar que se viva assim, até porque é necessário perceber a razão para o fazer. mas como qualquer regra existem excepções e é nessas alturas que é simples chegar à conclusão que é bom continuar a viver um dia de cada vez.
pelas minhas contas, que não costumam falhar muito e vendo apenas a perspectiva pessimista estarei cego do olho direito daqui a 5 anos. provavelmente terei algum problema cardíaco nos próximos 5 a 15 anos. podia ser ainda mais pessimista e incluir mais alguns que só de pensar fazem arrepios, mas ficam para já estes dois que ainda vão dando que pensar, especialmente o primeiro, já que o olho esquerdo também já teve melhores dias. não ver foi talvez o acontecimento que mais me marcou e não desejo isso a ninguém, desejo sim que vejam o ensaio sobre a cegueira e que aprendam com ele uma lição, mais uma das muitas que aprendi com quem já cá não está. eu não vi, senti e é sentindo que se vive os dias com a intensidade devida, porque passatempos há muitos, vida só temos esta.
Monday, March 28, 2011
Simplesmente
quando existe um problema usamos muitas vezes a palavra "porquê". mas porquê? não existe outra abordagem? outra maneira de tentar encontrar soluções, caminhos, formas de achar um final feliz como nos contos de miúdos? o certo é que em grande parte das situações o porquê não faz sentido pois, o problema não está lá, está aqui bem perto, escondido em locais onde nunca nos lembramos de procurar. outras vezes porém, o problema nem sequer existe. a criação de um perfil pouco confiante, de hipocondrismo anímico torna o ser mais independente no mais carente, chato, questionador e muitas vezes cansativamente repetitivo. esperar que um clic possa mudar esse estado, como se de uns e zeros se tratasse, como se o necessário fosse apenas um pequeno estímulo é desesperante. a solução é simplesmente infinita, como se algo que não termina pudesse ser entendido por uma criança, no entanto, a criança entente esse simples, não tem os mesmos problemas porque nem sequer pensa neles por não os criar.
Tuesday, February 22, 2011
Because people don't like it
"Posso parar dois minutos e ler um texto do Miguel Esteves Cardoso e ter saudades de quando escrevia no Independente?"
posso fazer o que quiser? no. but why? because people don't like it!
e então? é melhor correr mundo encharcado em hipocrisia, mentindo mentira atrás de mentira apenas para que todos me encarem de sorriso completo. não, mas porquê? porque eu não gosto.
é triste saber que há pessoas que não têm a capacidade de escolher o que gostam because people don't like it. é algo que se nota frequentemente, no dia a dia do utilizador mais atento da vida em formato pessoal social. já no formato século XXI onde temos uma máquina à nossa frente, esse facto torna-se ainda mais notável e fácil de encontrar. como exemplo, basta olhar para convocatórias de manifestações preenchidas por pseudo manifestantes, que em caso algum vão sair da sua zona de conforto para passear de bandeira na mão a reinvidicar aquilo a que chamam direitos ou aquilo a que o manifestante do lado pensa merecer. mas se ele acha que merece então eu também mereço e na loucura da ilegitimidade junto-me à causa.
passamos metade da nossa vida a falar com algo que não tem sentidos nem sentimentos, talvez seja por isso que cada vez somos mais frios, insensíveis e mecanicamente incorrectos. mas se tantas pessoas gostam é porque deve ser bom, but i don't like it.
sabe bem ter uma conversa, sabe bem ler um jornal tocando no papel, sabe bem fazer coisas como antigamente.
posso fazer o que quiser? no. but why? because people don't like it!
e então? é melhor correr mundo encharcado em hipocrisia, mentindo mentira atrás de mentira apenas para que todos me encarem de sorriso completo. não, mas porquê? porque eu não gosto.
é triste saber que há pessoas que não têm a capacidade de escolher o que gostam because people don't like it. é algo que se nota frequentemente, no dia a dia do utilizador mais atento da vida em formato pessoal social. já no formato século XXI onde temos uma máquina à nossa frente, esse facto torna-se ainda mais notável e fácil de encontrar. como exemplo, basta olhar para convocatórias de manifestações preenchidas por pseudo manifestantes, que em caso algum vão sair da sua zona de conforto para passear de bandeira na mão a reinvidicar aquilo a que chamam direitos ou aquilo a que o manifestante do lado pensa merecer. mas se ele acha que merece então eu também mereço e na loucura da ilegitimidade junto-me à causa.
passamos metade da nossa vida a falar com algo que não tem sentidos nem sentimentos, talvez seja por isso que cada vez somos mais frios, insensíveis e mecanicamente incorrectos. mas se tantas pessoas gostam é porque deve ser bom, but i don't like it.
sabe bem ter uma conversa, sabe bem ler um jornal tocando no papel, sabe bem fazer coisas como antigamente.
Tuesday, February 01, 2011
Dois ouvidos e uma boca
existem ditados, muitos que me lembro, alguns que sei e outros que vou aprendendo. hoje lembrei-me de dois que têm semelhantes significados.
"deram-nos dois ouvidos e uma boca para ouvirmos o dobro do que falamos."
"as vezes é melhor ficar calado e deixar que os outros pensem que você é parvo do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida."
mais uma vez, é simples falar sobre o assunto, não é complicado argumentar quando se vê o filme sem fazer parte do elenco que o torna possível. quando assim é, quando o mundo é nosso e não vemos o que fazemos com olhos de deus, torna-se por vezes difícil permanecer à margem, manter uma tendência isenta de influências, escolher a decisão correcta aos olhos do realizador.
esse filme que não tem remakes, segundas versões ou qualquer tipo de replay chama-se vida. esse conjunto de "desenhos onde a borracha não existe" para emendar erros que possam ter existido, onde o lápis é uma caneta de tinta permanente, é para ser vivido no presente e não apenas para ser passado no passado.
é difícil ser perfeito quando nos dão dois ouvidos e uma boca para ouvirmos o dobro do que falamos, duas mãos com que podemos escrever, dez dedos com que podemos tocar com a precisão de uma máquina as letras que agora estou a usar e apenas dois olhos para receber isso. em vez de duplicar, a troca de informação quintuplica.
"deram-nos dois ouvidos e uma boca para ouvirmos o dobro do que falamos."
"as vezes é melhor ficar calado e deixar que os outros pensem que você é parvo do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida."
mais uma vez, é simples falar sobre o assunto, não é complicado argumentar quando se vê o filme sem fazer parte do elenco que o torna possível. quando assim é, quando o mundo é nosso e não vemos o que fazemos com olhos de deus, torna-se por vezes difícil permanecer à margem, manter uma tendência isenta de influências, escolher a decisão correcta aos olhos do realizador.
esse filme que não tem remakes, segundas versões ou qualquer tipo de replay chama-se vida. esse conjunto de "desenhos onde a borracha não existe" para emendar erros que possam ter existido, onde o lápis é uma caneta de tinta permanente, é para ser vivido no presente e não apenas para ser passado no passado.
é difícil ser perfeito quando nos dão dois ouvidos e uma boca para ouvirmos o dobro do que falamos, duas mãos com que podemos escrever, dez dedos com que podemos tocar com a precisão de uma máquina as letras que agora estou a usar e apenas dois olhos para receber isso. em vez de duplicar, a troca de informação quintuplica.
Monday, January 10, 2011
José e Pilar
"a minha única missão é ser feliz e fazer aquilo em que acredito"
enquanto a manhã passava fui ouvindo uma hora de radio... radio radar, emissora desconhecida revelada por uma alma repleta de bom gosto. durante esses cinquenta e oito minutos ouvi falar do documentário "José & Pilar", ao qual já dediquei tempo e atenção, quer para o ver num dos poucos cinemas onde foi exibido, quer para escrever aqui no blog. pode parecer algo repetitivo, voltar a chamar o assunto à atenção de quem lê, ouve e vê, por sentir que devo partilhar aquilo em que acredito e com que concordo. há várias ideias partilhadas num filme completamente "amoral", onde o amor das nossas vidas aparece tarde mas a boas horas, onde a morte não mete medo, onde não há descanso porque para isso temos a eternidade, onde 86 anos parecem não pesar nas pernas de quem quase toca o centenário. é irónico olhar para um mundo de gente jovem e cansada, gente que perdeu o animo e a esperança, para depois ver que o pessimismo é que cria tudo isso e que uma mente aberta pode virar o mundo ao contrário.
mente aberta que não temos por cá, neste país em que tudo corre mal porque tem de correr, onde só depois de morto ou quando se tem sucesso além mares é que se merece respeito e devoção. onde tudo o que é nacional é mau, esse patriotismo repleto de estigmas, marcas profundas de mau gosto mesquinho. tenho o hábito de dizer que as pessoas não mudam, mas as mentalidades devem e têm de mudar. em tudo há coisas más, e nesse tudo também terá de existir algo de bom. parece que existem demasiadas generalizações de acontecimentos e factos, parece que não há lugar a excepções, parece que não existe vontade de dar um passo, que é melhor permanecer parado num cruzamento sem escolher um caminho, porque escolher dá trabalho, pode trazer problemas... se estou parado e não tenho dificuldades, assim ficarei até que a eternidade decida colocar problemas à porta da minha casa, mas se ela não os levantar à altura dos meus olhos farei por não ver e continuarei parado. não existe um espirito empreendedor, um querer partir à aventura por algo melhor, aprender, inovar, tudo isso são ideias fora do dicionário e da mente do comum lusitano.
enquanto não houver lugar a crença, enquanto não existir coragem e paixão pelo que se faz seremos sempre portugueses.
portugueses pregados com grandes estacas ao passado, a poemas que contam uma história sobrevalorizada, o fado que apenas é interpretado como tristeza em vez de ser uma ode à alegria, a impérios de sonhos... quarto, quinto? pouco importa se esses sonhos já não existem, se isso é algo em que ninguém acredita, pois o desconhecido mete medo, medo que não deixa avançar, que não deixa perceber que o desconhecido até pode ser o lugar onde está o melhor que nos pode acontecer.
enquanto a manhã passava fui ouvindo uma hora de radio... radio radar, emissora desconhecida revelada por uma alma repleta de bom gosto. durante esses cinquenta e oito minutos ouvi falar do documentário "José & Pilar", ao qual já dediquei tempo e atenção, quer para o ver num dos poucos cinemas onde foi exibido, quer para escrever aqui no blog. pode parecer algo repetitivo, voltar a chamar o assunto à atenção de quem lê, ouve e vê, por sentir que devo partilhar aquilo em que acredito e com que concordo. há várias ideias partilhadas num filme completamente "amoral", onde o amor das nossas vidas aparece tarde mas a boas horas, onde a morte não mete medo, onde não há descanso porque para isso temos a eternidade, onde 86 anos parecem não pesar nas pernas de quem quase toca o centenário. é irónico olhar para um mundo de gente jovem e cansada, gente que perdeu o animo e a esperança, para depois ver que o pessimismo é que cria tudo isso e que uma mente aberta pode virar o mundo ao contrário.
mente aberta que não temos por cá, neste país em que tudo corre mal porque tem de correr, onde só depois de morto ou quando se tem sucesso além mares é que se merece respeito e devoção. onde tudo o que é nacional é mau, esse patriotismo repleto de estigmas, marcas profundas de mau gosto mesquinho. tenho o hábito de dizer que as pessoas não mudam, mas as mentalidades devem e têm de mudar. em tudo há coisas más, e nesse tudo também terá de existir algo de bom. parece que existem demasiadas generalizações de acontecimentos e factos, parece que não há lugar a excepções, parece que não existe vontade de dar um passo, que é melhor permanecer parado num cruzamento sem escolher um caminho, porque escolher dá trabalho, pode trazer problemas... se estou parado e não tenho dificuldades, assim ficarei até que a eternidade decida colocar problemas à porta da minha casa, mas se ela não os levantar à altura dos meus olhos farei por não ver e continuarei parado. não existe um espirito empreendedor, um querer partir à aventura por algo melhor, aprender, inovar, tudo isso são ideias fora do dicionário e da mente do comum lusitano.
enquanto não houver lugar a crença, enquanto não existir coragem e paixão pelo que se faz seremos sempre portugueses.
portugueses pregados com grandes estacas ao passado, a poemas que contam uma história sobrevalorizada, o fado que apenas é interpretado como tristeza em vez de ser uma ode à alegria, a impérios de sonhos... quarto, quinto? pouco importa se esses sonhos já não existem, se isso é algo em que ninguém acredita, pois o desconhecido mete medo, medo que não deixa avançar, que não deixa perceber que o desconhecido até pode ser o lugar onde está o melhor que nos pode acontecer.
Wednesday, January 05, 2011
Pensamentos meus
muitas vezes olho para os textos aqui escritos e fico a imaginar todas as interpretações que podem ser feitas, todas as ideias certas ou erradas que podem ser retiradas. mesmo eu, que escolho cada palavra, posso inconscientemente estar a transmitir algo que não quero, ou quero, ou não sei se quero, mas faço-o. sou escritor porque escrevo? porque passo as minhas ideias para letras, para um formato que todos podem ver, ler e interpretar, mas nem todos podem compreender, perceber cada pensamento meu. é comum não ser entendido por quem me rodeia, explico mal por palavras aquilo que vagueia na minha cabeça. simples ideias muitas vezes rodeadas de palavras complicadas que muitos lêem mas poucos ou nenhuns compreendem.
porque faço isto? porque escrevo? porque mostro o que pensares e interrogações que preenchem o meu pensamento? aguardo com isto respostas de quem lê, sendo eu um dos visados, um dos leitores?
não.
como muitas vezes acontece, em dias de chuva como o de hoje, ou em dias de sol que não espero tão cedo, aquilo que se vê, sente, ouve e vive, apenas serve para que pensemos em nós, involuntariamente para que olhemos para o nosso dia a dia. logo à noite, antes de dormir não será neste texto que vou pensar... pensarei talvez em três tempos, presente, passado e futuro, segundos antes de adormecer, minutos antes de sonhar com um futuro melhor, a horas de um acordar que espero sorridente, para que mais tarde possa olhar para o passado dizendo que o presente é aquilo com que sonhei.
porque faço isto? porque escrevo? porque mostro o que pensares e interrogações que preenchem o meu pensamento? aguardo com isto respostas de quem lê, sendo eu um dos visados, um dos leitores?
não.
como muitas vezes acontece, em dias de chuva como o de hoje, ou em dias de sol que não espero tão cedo, aquilo que se vê, sente, ouve e vive, apenas serve para que pensemos em nós, involuntariamente para que olhemos para o nosso dia a dia. logo à noite, antes de dormir não será neste texto que vou pensar... pensarei talvez em três tempos, presente, passado e futuro, segundos antes de adormecer, minutos antes de sonhar com um futuro melhor, a horas de um acordar que espero sorridente, para que mais tarde possa olhar para o passado dizendo que o presente é aquilo com que sonhei.
Monday, January 03, 2011
Memórias de outros tempos
em tempos passados tinha uma boa memória, conseguia recordar cada ponto de cada imagem, cada pequeno detalhe do teatro que todos os dias passa à frente dos nossos olhos. peças diferentes para cada um, peças únicas para alguns ou uma enorme diversidade de actores, actrizes, actos e teatros, onde com alguma imaginação e muita compreensão é possível ver a vida dos outros. dessa observação é possível guardar boas memórias se tivermos uma boa memória, más memórias se tivermos uma boa memória mas não poderemos guardar memórias se não a tivermos. apesar de já não estar imaculada como em tempos áureos, ainda é fácil recordar os pormenores que importam, aqueles que passam despercebidos à maioria das marionetas que ocupam o espaço que nos rodeia. objectos que não fazem mais do que passar o tempo, que há muito se esqueceram que têm um coração e que isso significa que em vez de passar o tempo deviam vivê-lo. é uma pena que assim seja, esse sentimento triste que por vezes ainda existe no meu quotidiano, mas que só mostra que mais nada há a fazer, enquanto as cordas que fazem os seus braços mexer não forem cortadas.
Monday, December 27, 2010
José e Pilar v2
"José & Pilar" mostra que além de possível, nunca é tarde para fugir da maior prisão da humanidade... o medo de mudar.
seria uma tarde como outra qualquer, um fim de semana ao acaso no dezembro deste ano, frio como em tempos que lembram o século passado. já os hábitos e as decisões não, nada têm a ver com esses anos longínquos de mil novecentos e tantos. sair de casa sozinho ao final da tarde para fazer alguns muitos quilometros para ver pessoas, para jantar e ver um filme, ou ver um filme e jantar.
parece que vivo em alguma aldeia perdida no interior esquecido e ostracizado, que segundo li está relacionado com ostras... avé ignorância, e preciso de percorrer um longo caminho para chegar à metropole em busca de civilização, sair da selva verde para chegar à selva cinzenta. não é de todo verdade, as casas iluminadas, com luzes de todas as cores, lojas e toda uma panóplia de vidros recheados de apelos ao consumismo estão todas cá bem perto. no entanto, as pessoas não. terei que um dia passar de alguns quilometros de carro para uma viagem de avião até uma capital europeia, uma corrida ao final de uma tarde de sábado com regresso ao início da semana apenas para ver caras diferentes, numa busca incessante por algo novo, velho mas que pelo menos satisfaça a minha fome de conversa. soa a louco, parece que já não se fazem loucuras como antigamente, em que pessoas largavam tudo em busca do incerto, algo menos condenado que a vida a que pensavam destinados nas terras da bela lusitania. largar o seu país levando a saudade bem portuguesa para um dia mais tarde voltarem. certo é que muitos deles não mais voltaram, mudaram para melhor e por lá, por terras novas, ficaram. venceram o medo de mudar, esse medo que atormenta meia humanidade, que não deixa avançar e que prende com fortes amarras sorrisos fáceis. José deu uma enorme lição a muitos, além de mostrar que nunca é tarde para mudar, mostrou também que "tudo pode ser contado doutra maneira".
seria uma tarde como outra qualquer, um fim de semana ao acaso no dezembro deste ano, frio como em tempos que lembram o século passado. já os hábitos e as decisões não, nada têm a ver com esses anos longínquos de mil novecentos e tantos. sair de casa sozinho ao final da tarde para fazer alguns muitos quilometros para ver pessoas, para jantar e ver um filme, ou ver um filme e jantar.
parece que vivo em alguma aldeia perdida no interior esquecido e ostracizado, que segundo li está relacionado com ostras... avé ignorância, e preciso de percorrer um longo caminho para chegar à metropole em busca de civilização, sair da selva verde para chegar à selva cinzenta. não é de todo verdade, as casas iluminadas, com luzes de todas as cores, lojas e toda uma panóplia de vidros recheados de apelos ao consumismo estão todas cá bem perto. no entanto, as pessoas não. terei que um dia passar de alguns quilometros de carro para uma viagem de avião até uma capital europeia, uma corrida ao final de uma tarde de sábado com regresso ao início da semana apenas para ver caras diferentes, numa busca incessante por algo novo, velho mas que pelo menos satisfaça a minha fome de conversa. soa a louco, parece que já não se fazem loucuras como antigamente, em que pessoas largavam tudo em busca do incerto, algo menos condenado que a vida a que pensavam destinados nas terras da bela lusitania. largar o seu país levando a saudade bem portuguesa para um dia mais tarde voltarem. certo é que muitos deles não mais voltaram, mudaram para melhor e por lá, por terras novas, ficaram. venceram o medo de mudar, esse medo que atormenta meia humanidade, que não deixa avançar e que prende com fortes amarras sorrisos fáceis. José deu uma enorme lição a muitos, além de mostrar que nunca é tarde para mudar, mostrou também que "tudo pode ser contado doutra maneira".
Saturday, December 25, 2010
Grãos de areia
já em tempos passados falei deste tema ou de um muito semelhante. agora volto à casa de partida, não com o intuito de repetir mas de adicionar mais alguns grãos de areia a esta praia. chego à conclusão que as pessoas têm o que merecem. ao olhar para o seu percurso, e mesmo olhando para as pegadas que fui deixando para trás das costas, vejo que muitas das coisas que vivi foram proporcionadas por atitudes minhas, boas e más. as boas, criadas no meio de surpresas e loucuras, aventuras que nos fazem sorrir, momentos que criam uma lagrima ou duas como forma de deixar a felicidade sair. as más, problemas pequenos e grandes, pequenos berlindes que crescem e ficam bolas de neve. por vezes é difícil encontrar a origem da bola de neve, e nem todos conseguem fazê-lo, mas quando olhamos para aquilo que pensamos ser um grande problema, algo irremediável, estamos na verdade a olhar para um pequeníssimo defeito com uma idade centenária, que cresceu e cresceu, tornou-se forte e incontrolável. merecemos isso? nem todos têm a capacidade de antecipar o acontecimento, a maioria não tem. eu próprio não tive, por isso olhei para a enorme bola, tirei as minhas conclusões e segui o meu caminho. agora sei que se o pequeno problema surgir terá de ser resolvido, mas também tenho noção que aquela bola não era resoluvel, não por ser muito trabalhoso, mas porque o seu percurso seria sempre crescente. por vezes é melhor descer um degrau, mudar de escada e começar a subir novamente, em vez de seguir essa mesma escada, podre e partida, pois mais tarde o peso da bola de neve vai parti-la e o chão que as rodeia magoa. não se apagam bolas de neve pois a vida desenha-se sem borracha.
Wednesday, December 15, 2010
Pensar... pensar...
nem sempre pensei assim, mas dia após dia noto que muitas pessoas fazem juízos de valor de alguém sem nunca terem partilhado ideias com essa pessoa. é errado? arrisco dizer que sim, por muito bons avaliadores que possam ser, algumas coisas irão sempre escapar, pequenos pormenores, detalhes escondidos. nem a nossa alma gémea, para os que a conseguiram encontrar ou acham que encontraram, é pura e transparente aos nossos olhos, o que dizer de pessoas que por vezes são o oposto da nossa existência. aprendi que é bom ser imparcial e tolerante, gosto de lembrar os momentos em que me falaram sobre isso, a paciência que tive para ouvir quem me falou e dou por bem empregue esse tempo. não uso paciência com sentido prejurativo, apenas como generalização porque muitos não estariam dispostos a despender esse tempo, a aprender algo próximo do filosofico. pensar dá trabalho e é chato, muitos dizem, é mais fácil não aprender. posso mesmo dizer que foram bons momentos da minha vida aqueles que passei na tua companhia e que espero continuar a passar quando o clima ficar mais ameno. quero que todo esse tempo que as nossas ideias passearam em cima de uma mesa de café se possa repetir. não penso desistir de mostrar que não sou tão mau como me pintam, nem tão bom quanto me desenham, apenas mostro o que sou, quem gostar gosta, quem não gostar que me diga pois é aquilo que eu faço para o bem e para o mal.
Monday, December 06, 2010
"Conhecer toda a gente, amar alguns e fazer e desejar mal a nenhum"
há coisas que nos fazem pensar. como em muitos dos textos que aqui escrevi, este assunto surgiu de mais uma influência externa que despertou em mim, um misto de tristeza e de alegria, um querer ser diferente de todos como uma pessoa no meio da multidão mas humano e falível como essa multidão é. olho para trás e vejo a minha vida, consigo imaginar, recordar, viver cada momento como se fosse a primeira vez, como se estivesse a ler o prólogo de um livro que ainda não vai a meio, em que o final é uma incognita. desse livro guardo boas e más recordações, as boas porque me fizeram sorrir, as más porque agora as vejo como lições, como ensinamentos que me tornaram a pessoa que sou hoje. é por isso que fico feliz por olhar para o meu passado e ver que não há lugar a trocas, remendos ou alterações, trocar o infeliz momentaneo por um sorriso é menos uma lição que se aprende. não quero com isto dizer que é melhor viver só maus momentos, apenas que, é bom viver ambos para sabermos dar valor ao que temos. é bom ter discernimento para compreender as pessoas que nos rodeiam, mas não esperar que elas nos compreendam. não vale a pena pensar que por tratarmos bem os outros seremos levados a ombros, longe disso. por vezes, quem pensamos que melhor nos conhece é quem pior nos tratará num futuro próximo. incompreensível? talvez, mas como errar é humano, e neste caso o erro pode estar em ambos os lados. como disse alguém que muitos gostam de citar: "conhecer toda a gente, amar alguns e fazer e desejar mal a nenhum". tenho feito tudo isso e espero continuar a fazer, nos momentos em que falhei aprendi a lição e espero não voltar a repetir o erro, apesar de ser humano.
Tuesday, November 30, 2010
Legado futuro
hoje li um texto que me fez pensar, olhar à minha volta, observar e analisar tudo e todos, ver defeitos e virtudes, vícios absorvidos de uma sociedade que impinge tudo, seja bom seja mau. O texto de José Luís Peixoto disponível aqui transmite uma ideia que, felizmente para mim, uma pessoa que sorri sempre me segredou no meio de muitas e muitas horas de conversa. É a ideia que também faço passar, por gostar do seu modo de encarar a vida e por ter chegado à conclusão, não que seja fácil passar da teoria à prática, mas porque a vida assim o quis, que sorrir e fazer sorrir é o melhor remédio. Claramente ele tem todo o mérito por se ter lembrado de escrever sobre o assunto, mostrar em algumas palavras que aquilo que os nossos sentidos apanham no ar à nossa volta, é aquilo que mais tarde damos a quem nos rodeia. Ela também tem todo o mérito por me mostrar que há coisas que não merecem as nossas preocupações, que os problemas podem ser minúsculos se a nossa mente assim o quiser. Mas seja "em graus celsius, como em graus fahrenheit, existe um só frio." Um pouco contra senso, talvez um problema seja sempre um problema com dimensão variável, uma ideia com fome de atenção que teima em não depender só de nós para ser resolvida.
nestes meses fui apologista de sair de casa, pois ficar fechado num canto não resolve nada, nem que exista uma enorme janela para deixar a luz entrar, o sol da primavera ao verão, "a luz do outono que parece condenado por ter nascido irmão do inverno," mesmo essa luz faz brilhar os nossos olhos, dá-nos motivos para sorrir. e se não sorrirmos? deixaremos o legado triste até ao fim dos tempos. não é isso que quero, e certamente não sou o único a pensar assim.
nestes meses fui apologista de sair de casa, pois ficar fechado num canto não resolve nada, nem que exista uma enorme janela para deixar a luz entrar, o sol da primavera ao verão, "a luz do outono que parece condenado por ter nascido irmão do inverno," mesmo essa luz faz brilhar os nossos olhos, dá-nos motivos para sorrir. e se não sorrirmos? deixaremos o legado triste até ao fim dos tempos. não é isso que quero, e certamente não sou o único a pensar assim.
Monday, November 22, 2010
Life is simple
life is simple, a vida é simples, la vita è bella, elämä on yksinkertaista. é fácil dizer que é, já vive-la dessa forma não é tarefa assim tão fácil. acredito que há pessoas que o façam, talvez num lugar distante de onde estou, pois todas as pessoas que me fizeram acreditar que assim era, que o molde da sua vida era tão simples e comum que podia ser feito por uma criança, também me mostraram que a vida não é simples. simultaneamente, por entre pensamentos contraditórios percebi que a vida só é simples se o nosso olhar perante ela também o for, não um olhar de desleixo, mas um olhar de quem consegue ver para além daquilo que o comum ser chamaria de problema. um olhar de quem consegue ler sem falar, sem ouvir uma palavra que seja, mostra o quanto a vida é simples quando se quer. quando não se quer há que continuar a tentar mostrar que a beleza de ser está na simplicidade.
Tuesday, November 16, 2010
Special one
hoje disseram que eu era especial, como em tantas outras vezes. é verdade, talvez seja, mas o certo é que a história repete-se uma e outra vez, dia após dia e são poucas as vezes que sinto que tenho esse valor. hoje, ironicamente senti isso pouco depois de dizerem, escrevi isso. encontrei inspiração onde não esperava encontrar e após alguns minutos escrevi o texto que li várias vezes acabando sempre com um sorriso. de poucas coisas me arrependo e esta não é uma delas, porque se eu sou especial, não estou sozinho com essa qualidade. o tempo dirá de sua justiça, tenho a certeza.
Sunday, November 07, 2010
Antes só que mal acompanhado
antes só que mal acompanhado. reza assim o ditado popular, mas até que ponto deverá ser seguido e respeitado? sair de casa sozinho para beber um café e manter uma leve e descontraída conversa com um pedaço de papel, onde dançam riscos pretos que aos milhares fazem algumas imagens surgir na nossa mente. enquanto isso na mesa do lado um grupo de pessoas de meia idade fala de algum programa de televisão rindo animadamente. pergunto que programa seria, se nos dias que correm, ou andam conforme se queira, não encontro muitos programas que sirvam para uma conversa interessante. noutra mesa um pouco mais longe um grupo de jovens fala das conquistas do dia anterior, interessante que, sendo raparigas falavam de conquistar raparigas. admiro a abertura que corre nas suas mentes, compreendo-a e respeito-a, pena que não apliquem os mesmos padrões a tudo o que importa para a nossa sociedade e só queiram seguir o caminho do divertimento. após terminar aquela conversa de pouco mais de uma hora, interrompida pelos risos histéricos ou pelas palavras socialmente pouco adequadas de ambas as mesas, voltei para o conforto do lar. gostei de ouvir o som da liberdade social, apesar de portugal ser mau em muitas coisas, continuo a gostar muito de cá viver. estive mal acompanhado pelas mesas ou pelo jornal, não, tive uma conversa interessante do meu ponto de vista ao mesmo tempo que tinha pessoas perto justificando o ser animal social. valia a pena ter alguém ao meu lado, talvez, mas isso fica para outro dia.
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