um pequeno à parte no habitual conteúdo do blog onde reinam rimas e palavras bonitas, floreados literários que muitas vezes adquirem multiplos sentidos para quem lê, mas que para mim, apenas numa direcção, são claros como água.
abordo uma questão que de certa forma me irrita, a crise política e económica que atravessamos, a luta por direitos, sempre por direitos esquecendo deveres.
há quem culpe políticos pelo que passamos, outros culpam entidades de regulação económica e bancos, capitalismo e globalização, petróleo e especulação, não faltam "bodes" para espiar.
mas a resposta à crise que atravessamos neste momento é muito simples: portugal é um país onde se gastou sempre mais do que se tinha. basta olhar para a época dos descobrimentos, quando o ouro chegava em barcos para honrar a podridão da igreja de então sobre a forma de talha dourada. uma breve comparação com essa época basta para ver o quanto este hábito se encontra enraizado na nossa cultura.
há muito que defendo que a razão de algumas políticas falharem é a falta de educação da população em geral, uma multidão vidrada para direitos sem olhos para deveres, sem margem para cedências em prol do bem geral, onde os vícios e uma mistura de inveja e de desejo de querer mais do que quem mora na casa do lado levam a um endividamento exponencialmente crescente. uma política economica irracional e expancionista, onde o emprestar sem margens de segurança, leva a população a gastos desmesurados em bens, muitos deles superfulos, que pertencem a classes economicamente superiores, muitas delas também em situação precária neste momento. não querendo estratificar a sociedade, apesar de assim o parecer, defendo que o crescimento deve ser sustentado e essa filosofia deve ser aplicada a cada família. cada pessoa ou conjunto de pessoas deve ter perfeita noção de onde pode chegar, de quanto e quando pode gastar.
certo que muitos não têm possibilidades, como se costuma dizer, mas muitos têm também vergonha de pedir apoio a entidades que o dão, mais uma vez porque o vizinho não pode saber.
a irresponsabilidade banqueira ajudou à situação, onde primeiro os bancos e mais tarde as empresas de "crédito fácil", levaram ao endividamento herculaneo de muitas famílias. portugal comportou-se exactamente como a maioria das famílias portuguesas, compras atrás de compras, obras e carros, um governo à imagem de portugal, gastanto mais do que podia e devia endividando-se mais do que recomendável até ao ponto de pagar a prestação da casa com o cartão de crédito.
por tudo isto digo que a culpa não foi única e exclusivamente dos políticos, mas de todos os que se comportaram de forma economicamente irresponsável. posso ser mal entendido por muitos, mas estou convicto que a minha opinião está correcta em muitos aspectos, estando também aberta a algumas melhorias que encaixem de forma adequada.
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Monday, April 11, 2011
Thursday, January 27, 2011
Os Gays de Alegre
parece que a falta de ideias invadiu o meu quotidiano. apesar de ter em mente muitos assuntos sobre os quais podia divagar por aqui, nenhum deles me preenche as pontas dos dedos com palavras que sinta que devo partilhar. diariamente leio textos sobre os quais podia falar e escrever, longas dissertações onde espelhava a minha opinião.
ainda há pouco, lendo "os gays de Manuel Alegre" de Henrique Raposo pensei em falar sobre o assunto. muito podia dizer, mesmo não sendo um tema que goste de discutir, pois, tal como muitos outros temas por vezes polémicos, é preciso ter a pessoa certa à frente dos nossos olhos, para evitar gastar a mente a cuidar das palavras que se vão dizendo.
pensei também falar do meu pessimismo inato, de como não pareço ser pelo que digo a quem me ouve, mas sou pelo que digo à minha pessoa quando ninguém me ouve. pelos planos que fiz, desilusões que tive e também pelos sonhos que um dia pensei realizar. contínuo a acreditar em finais felizes mas a esperança já é muito pouca. mas de uma coisa tenho a certeza, não é por me esconder num canto, só e fechado no meu bunker, que vou ser menos infeliz. a solidão é a maior das infelicidades mas nem sempre nos apercebemos de tal facto.
vagueou pelas minhas ideias a hipótese de falar de muitos outros assuntos, uns sem nexo, outros com bastante sentido, mas para escrever como gosto, com sentido, preciso de sentir o que escrevo e com a anestesia que tenho não sinto nada.
ainda há pouco, lendo "os gays de Manuel Alegre" de Henrique Raposo pensei em falar sobre o assunto. muito podia dizer, mesmo não sendo um tema que goste de discutir, pois, tal como muitos outros temas por vezes polémicos, é preciso ter a pessoa certa à frente dos nossos olhos, para evitar gastar a mente a cuidar das palavras que se vão dizendo.
pensei também falar do meu pessimismo inato, de como não pareço ser pelo que digo a quem me ouve, mas sou pelo que digo à minha pessoa quando ninguém me ouve. pelos planos que fiz, desilusões que tive e também pelos sonhos que um dia pensei realizar. contínuo a acreditar em finais felizes mas a esperança já é muito pouca. mas de uma coisa tenho a certeza, não é por me esconder num canto, só e fechado no meu bunker, que vou ser menos infeliz. a solidão é a maior das infelicidades mas nem sempre nos apercebemos de tal facto.
vagueou pelas minhas ideias a hipótese de falar de muitos outros assuntos, uns sem nexo, outros com bastante sentido, mas para escrever como gosto, com sentido, preciso de sentir o que escrevo e com a anestesia que tenho não sinto nada.
Monday, January 10, 2011
José e Pilar
"a minha única missão é ser feliz e fazer aquilo em que acredito"
enquanto a manhã passava fui ouvindo uma hora de radio... radio radar, emissora desconhecida revelada por uma alma repleta de bom gosto. durante esses cinquenta e oito minutos ouvi falar do documentário "José & Pilar", ao qual já dediquei tempo e atenção, quer para o ver num dos poucos cinemas onde foi exibido, quer para escrever aqui no blog. pode parecer algo repetitivo, voltar a chamar o assunto à atenção de quem lê, ouve e vê, por sentir que devo partilhar aquilo em que acredito e com que concordo. há várias ideias partilhadas num filme completamente "amoral", onde o amor das nossas vidas aparece tarde mas a boas horas, onde a morte não mete medo, onde não há descanso porque para isso temos a eternidade, onde 86 anos parecem não pesar nas pernas de quem quase toca o centenário. é irónico olhar para um mundo de gente jovem e cansada, gente que perdeu o animo e a esperança, para depois ver que o pessimismo é que cria tudo isso e que uma mente aberta pode virar o mundo ao contrário.
mente aberta que não temos por cá, neste país em que tudo corre mal porque tem de correr, onde só depois de morto ou quando se tem sucesso além mares é que se merece respeito e devoção. onde tudo o que é nacional é mau, esse patriotismo repleto de estigmas, marcas profundas de mau gosto mesquinho. tenho o hábito de dizer que as pessoas não mudam, mas as mentalidades devem e têm de mudar. em tudo há coisas más, e nesse tudo também terá de existir algo de bom. parece que existem demasiadas generalizações de acontecimentos e factos, parece que não há lugar a excepções, parece que não existe vontade de dar um passo, que é melhor permanecer parado num cruzamento sem escolher um caminho, porque escolher dá trabalho, pode trazer problemas... se estou parado e não tenho dificuldades, assim ficarei até que a eternidade decida colocar problemas à porta da minha casa, mas se ela não os levantar à altura dos meus olhos farei por não ver e continuarei parado. não existe um espirito empreendedor, um querer partir à aventura por algo melhor, aprender, inovar, tudo isso são ideias fora do dicionário e da mente do comum lusitano.
enquanto não houver lugar a crença, enquanto não existir coragem e paixão pelo que se faz seremos sempre portugueses.
portugueses pregados com grandes estacas ao passado, a poemas que contam uma história sobrevalorizada, o fado que apenas é interpretado como tristeza em vez de ser uma ode à alegria, a impérios de sonhos... quarto, quinto? pouco importa se esses sonhos já não existem, se isso é algo em que ninguém acredita, pois o desconhecido mete medo, medo que não deixa avançar, que não deixa perceber que o desconhecido até pode ser o lugar onde está o melhor que nos pode acontecer.
enquanto a manhã passava fui ouvindo uma hora de radio... radio radar, emissora desconhecida revelada por uma alma repleta de bom gosto. durante esses cinquenta e oito minutos ouvi falar do documentário "José & Pilar", ao qual já dediquei tempo e atenção, quer para o ver num dos poucos cinemas onde foi exibido, quer para escrever aqui no blog. pode parecer algo repetitivo, voltar a chamar o assunto à atenção de quem lê, ouve e vê, por sentir que devo partilhar aquilo em que acredito e com que concordo. há várias ideias partilhadas num filme completamente "amoral", onde o amor das nossas vidas aparece tarde mas a boas horas, onde a morte não mete medo, onde não há descanso porque para isso temos a eternidade, onde 86 anos parecem não pesar nas pernas de quem quase toca o centenário. é irónico olhar para um mundo de gente jovem e cansada, gente que perdeu o animo e a esperança, para depois ver que o pessimismo é que cria tudo isso e que uma mente aberta pode virar o mundo ao contrário.
mente aberta que não temos por cá, neste país em que tudo corre mal porque tem de correr, onde só depois de morto ou quando se tem sucesso além mares é que se merece respeito e devoção. onde tudo o que é nacional é mau, esse patriotismo repleto de estigmas, marcas profundas de mau gosto mesquinho. tenho o hábito de dizer que as pessoas não mudam, mas as mentalidades devem e têm de mudar. em tudo há coisas más, e nesse tudo também terá de existir algo de bom. parece que existem demasiadas generalizações de acontecimentos e factos, parece que não há lugar a excepções, parece que não existe vontade de dar um passo, que é melhor permanecer parado num cruzamento sem escolher um caminho, porque escolher dá trabalho, pode trazer problemas... se estou parado e não tenho dificuldades, assim ficarei até que a eternidade decida colocar problemas à porta da minha casa, mas se ela não os levantar à altura dos meus olhos farei por não ver e continuarei parado. não existe um espirito empreendedor, um querer partir à aventura por algo melhor, aprender, inovar, tudo isso são ideias fora do dicionário e da mente do comum lusitano.
enquanto não houver lugar a crença, enquanto não existir coragem e paixão pelo que se faz seremos sempre portugueses.
portugueses pregados com grandes estacas ao passado, a poemas que contam uma história sobrevalorizada, o fado que apenas é interpretado como tristeza em vez de ser uma ode à alegria, a impérios de sonhos... quarto, quinto? pouco importa se esses sonhos já não existem, se isso é algo em que ninguém acredita, pois o desconhecido mete medo, medo que não deixa avançar, que não deixa perceber que o desconhecido até pode ser o lugar onde está o melhor que nos pode acontecer.
Sunday, October 31, 2010
They'll never go away
quando a conversa começou eu não pensei que este tipo de pessoas ainda existisse, pelo menos no nosso pequeno lugar junto ao atlântico. consta que na mente de alguns seres pouco humanos, ainda existe uma sociedade hierarquizada onde o dr. pode ir ao mesmo bar que o eng., mas a esse lugar o pedreiro já não pode ir porque pertence ao estrato inferior. e falo de bar para não referir serviços mais humanamente necessários porque esses também dançaram no meio do jogo de palavras. é triste ouvir frases como "eu gostava que estivesse ali um preto a lavar o chão".
como sou boa pessoa não te desejo mal nenhum, mas também não te digo que essas idas ao solário estão a deixar a tua pele numa lástima. esses papos e essas rugas debaixo dos olhos são prova disso, and guess what? they'll never go away.
Thursday, October 28, 2010
Burro Azul
hoje passei no café, durante os meus 15 minutos de almoço, para ouvir mais uma das conversas de crise. em apenas trinta segundos de pura ignorância, o energúmeno senhor conseguiu uma mistura política que só lembrou a salada russa que a minha avó fez para o almoço. em muitas ocasiões tive a felicidade de comer uma boa salada russa, mas esta não foi uma delas. das vezes que tentei explicar ao senhor que o boi é castanho, todas elas sem sucesso, ele continuou a afirmar que era azul. alguém já viu exemplares azuis?
tem piada olhar para as notícias e ver que querem voto aos 16 anos. sinceramente, acho que um exame psicológico aliado a um bom teste sobre doutrina política seria também adequado a todo e qualquer cidadão que tivesse direito de voto, talvez gerasse mais consciência, conjugada com a típica inveja portuguesa do "aí se ele vota eu voto também nem que me mate a estudar". e proibir o voto aos reformados, também tinha a sua graça... o apelo ao voto consciente que muitos clamam.
talvez eu seja burro e não perceba o porquê destes pensamentos, o invocar de filosofias para transforma-las em caminhos de um só sentido, quando se pretende um sem fim de ideias e valores quando se fala na arte de pensar.
nem tudo na vida tem lógica, mas pelo menos já sei porque é que o paleolítico superior vem depois e a baixa idade média também apesar de superior e baixa serem antónimos. fui feliz nesse dia.
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